Debate – A crise da UERJ e o futuro da universidade brasileira

 na categoria Boletins

Com o Professor Lucas de Mello Cabral e Matos (UERJ)

Data: 22 de fevereiro às 14:30 h.
Local: No centro de vivência dos Professores no Campus/UEL (Perto do SEBEC)

Venha debater a situação em que se encontra a UERJ devido à calamitosa política do governo do Rio de Janeiro que levou à falência aquele estado a ponto de comprometer a continuidade de diversos serviços públicos, incluindo a Universidade do Estado de Rio de Janeiro.

O descaso com o ensino superior público que o governo do Rio de Janeiro demonstra é semelhante ao que o governo do Paraná vem praticando já há bastante tempo.

Lucas de Mello Cabral e Matos
Além de professor e pesquisador, é ator profissional, poeta e editor de poesia. Bacharel e Licenciado em Letras/ Habilitação: Português/Literaturas. Fez Mestrado em Literatura Brasileira e doutorado em Literatura Comparada. É professor de Língua e Literatura do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira-CAp/UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

 

 

Postagens Recentes
Comentário
  • Rosangela Mesil
    Responder

    Mas não temos dinheiro. Então, o que fazer? Devemos priorizar a saúde e a segurança. Se algum dia sobrar dinheiro, então reabriremos a UERJ. Enquanto isso, a melhor solução é evitar confrontos. Se os estudantes e professores da UERJ não quebrarem lojas, nem prejudicarem os serviços públicos básicos, não vejo porque interferir na universidade. O governo poderia permitir que os professores da UERJ descobrissem e patenteassem novos fármacos, como antibióticos e drogas como câncer. Temporariamente, os professores poderiam trabalhar de faxineiros, como fizeram Subbarow e outros na época da crise em Harvard. Quando o antibiótico tetracyclina começou a render royalties, Subbarow e Benjamin Duggar puderam abandonar as faxinas noturnas e dedicarem-se apenas à pesquisa e ensino. A mesma coisa aconteceu com Princeton, na época em que Abraham Flexner dirigia o Instituto de Estudos Avançados. Vários professores do instituto, como Einstein, von Neuman e Jaeger concordaram em receber uma parte ínfima do salário. Quando os computadores eletrônicos, que von Neuman havia inventado começaram a produzir royalties, a situação voltou ao normal. Como vocês podem ver, várias universidades do mundo passaram por dificuldades semelhantes à UERJ. A UBA não tinha dinheiro para que o professor Luís Leloir comprasse uma simples centrífuga. Não renovou o contrato do professor Leloir. Então Leloir virou o próprio carro de lado e construiu uma centrífuca na roda. Com ela, isolou e descobriu a fórmula dos sugar nucleotides. Com isso, o professor Leloir ganhou o prêmio Nobel, que lhe permitiu viver vários meses, até que o governo argentino recomeçasse a pagar seu salário. Outra solução interessante foi do Professor Domingo Santo Liotta. Ele passava parte do ano nos Estados Unidos, onde criou os sistemas de circulação extra-corpórea e o primeiro coração artificial do mundo. O coração artificial do Professor Domingo Santo Liotta está no Instituto Smithoniano, classificado como um dos tesouros da ciência americana. Dos Estados Unidos, o Professor Liotta ia até a China, onde ajudou Chu Enlai a organizar o serviço de saúde daquele país. Parte do tempo, ficava na Argentina, dando aulas de fisiologia. Apesar da agenda complicada, dizem que o Professor Liotta nunca chegou atrasado à aula. Engraçado foi a solução que o professor Brouwer encontrou e sugeriu aos colegas. Claro que a universidade de Amsterdam não pagava o salário de ninguém. Então os professores montaram pequenos negócios para seus cônjuges. Brouwer, em particular, ajudou a esposa a montar uma farmácia. E quem fosse comprar remédios na farmácia, poderia encontrar o famoso criador do construtivismo atrás do balcão. Brouwer também fazia a contabilidade da farmácia. Considerando que Einstein era o mais famoso professor de Princeton, Abraham Flexner decidiu, mesmo no auge da crise, manter o salário integrau do famoso professor. Janos von Neuman dava assessorias para o departamento de defesa e conseguia até mesmo ajudar um pouco a universidade passar pelos momentos difíceis. Goedel recebia uma pequena mesada do espólio de seu pai. Assim, Princeton conseguiu sobreviver.

    Quando eu estive na Universidade Paul Sabatier, a situação não era fácil. A indústria aeroespacial estava em dificuldades e vários projetos estavam sendo cancelados. Professores e estudantes tinham que fazer a faxina, e revezarem-se na creche. Felizmente, a Aérospatiale “decolou” e a Paul Sabatier começou a receber royalties pelos projetos do Airbus, TGV (Train à Grande Vitesse), etc. Seria interessante que a UERJ fizesse um levantamento de remédios que seus professores descobriram, como novos antibióticos e quimioterápicos. Devido ao fato de que as bactérias ficando resistentes a antibióticos antigos, novos conceitos são bem vindos. Por exemplo, a crise na Croácia estava muito pior do que a do Rio de Janeiro. Não havia dinheiro para nada. A situação foi salva pelas professoras Gabrijela Kobrehel, Gorjana Lazarevski e Zrinka Tamburashev. A descoberta da Azithromycin rendeu bilhões de dólares à Universidade de Zagreb, o que ajudou aquela instituição de ensino a sair da crise. A escola de medicina da UERJ tem muito mais professores do que a da Universidade de Zagreb. Sabemos que, quando estava na Universidade de Stanford, Catherine Mohr construiu os robots cirurgiões Da Vinci que ajudaram a manter o departamento de cirurgia de Stanford. Os professores e estudantes da medicina da UERJ poderiam fazer um multirão para sintetizar antibióticos, quimioterápicos, robots cirurgiões, etc. Assim, conseguiriam dinheiro para sair da crise. Ganhar alguns prêmios nobeis também ajuda muito. Devido aos seus oito professores que ganharam o prêmio Nobel, a Universidade Lomonosov atrai estudantes do mundo inteiro. Até Anthony Hoare saiu de Oxford e foi estudar na Lomonosov. Concordo que a UERJ não deveria cobrar de estudantes brasileiros, mas não há problema nenhum de cobrar de americanos, franceses, japoneses ou alemães que fossem atraídos por ganhadores de prêmio Nobel.

Deixar um comentário

Digite o que procura e aperte a tecla Enter para pesquisar