GRUPO DE TRABALHO DÁ INÍCIO ÀS NEGOCIAÇÕES COM O GOVERNO

O grupo de trabalho criado no dia 07/11 com cinco representantes de sindicados de servidores e representantes da SEFA e SEAP terá até o dia 19 de novembro para buscar uma solução para o impasse relacionado à reposição das perdas salariais e ao pagamento das progressões e promoções dos servidores estaduais. A primeira reunião ocorreu nas dependências da SEAP já no dia seguinte (08) e nova reunião está marcada para amanhã (10).

O dia 20 de novembro é a data limite para o governo reapresentar emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), tendo em vista a retirada da mensagem do governo na semana passada.

A análise das finanças do Estado feita pelos servidores indica que o governo tem condições de honrar com a Lei da data base e as dívidas que tem com algumas categorias. De acordo com esses estudos, o valor de 1,4 bilhão pode ser superado. No entanto, as intenções do governo são diferentes, e na primeira reunião não se chegou a nenhum termo.

Comunicado do Comando de Greve Docente sobre nota da reitoria da UEL

A resposta da reitoria sobre as ocupações, veiculada nesta terça-feira (08) no site da UEL, é bem-vinda como o primeiro pronunciamento público dos dirigentes da instituição diante do quadro de crise nacional que vivemos nestes dias.

O Comando de Greve dos Docentes, reunido nesta data, lamenta, no entanto, o tom evasivo da resposta dada aos estudantes e o tratamento dado ao movimento de ocupações, justificando a judicialização, chegando mesmo a sugerir equivocadamente que docentes participam das mesmas.

A intenção de diálogo contida no documento precisa se concretizar em atitudes objetivas no sentido da democratização da universidade, tendo como premissa, ao contrário do que diz o título da mensagem (UEL se posiciona sobre as ocupações) que a UEL somos todos nós, estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos.

Londrina, 8 de novembro de 2016

Comando de Greve dos Docentes

 

Comunicado do Comando de Greve Docente sobre a greve estudantil e as ocupações na UEL

O Comando de Greve dos Docentes, reunido em 7 de novembro, avaliou as dificuldades que o movimento de greve dos estudantes enfrenta para que a reitora da UEL atenda suas demandas.

Em face dessas dificuldades, o Comando Docente defende que a Reitoria negocie franca e sinceramente com os estudantes as suas reivindicações, pois estas são orientadas à defesa de universidade pública e gratuita e à garantia de direitos.

Considera também imprescindível que qualquer mediação ou discussão sobre a manifestação estudantil a que forem convidados os docentes, seu sindicato ou seu comando de greve, deve necessariamente contar com a presença dos estudantes que são os sujeitos da ação política.

O Comando de Greve Docente também defende – como já foi colocado à Reitora e esta havia se comprometido no dia 4 de novembro ao final da assembleia –  a imediata convocação do CEPE e das Câmaras para reorganizar o calendário escolar, de modo a não causar nenhum prejuízo aos estudantes nem aos docentes.

Reafirmamos as deliberações de nossa assembleia do dia 4 de novembro que deliberou pela defesa da “autonomia do movimento estudantil e suas formas de organização” e, ao mesmo tempo, “rejeita a criminalização do movimento, qualquer repressão e punição dos estudantes”.

Londrina, 7 de novembro de 2016

Comando de Greve dos Docentes

Comunicado do Comando de Greve Docente sobre a greve estudantil e as ocupações na UEL

O Comando de Greve dos Docentes, reunido em 7 de novembro, avaliou as dificuldades que o movimento de greve dos estudantes enfrenta para que a reitora da UEL atenda suas demandas.

Em face dessas dificuldades, o Comando Docente defende que a Reitoria negocie franca e sinceramente com os estudantes as suas reivindicações, pois estas são orientadas à defesa de universidade pública e gratuita e à garantia de direitos.

Considera também imprescindível que qualquer mediação ou discussão sobre a manifestação estudantil a que forem convidados os docentes, seu sindicato ou seu comando de greve, deve necessariamente contar com a presença dos estudantes que são os sujeitos da ação política.

O Comando de Greve Docente também defende – como já foi colocado à Reitora e esta havia se comprometido no dia 4 de novembro ao final da assembleia –  a imediata convocação do CEPE e das Câmaras para reorganizar o calendário escolar, de modo a não causar nenhum prejuízo aos estudantes nem aos docentes.

Reafirmamos as deliberações de nossa assembleia do dia 4 de novembro que deliberou pela defesa da “autonomia do movimento estudantil e suas formas de organização” e, ao mesmo tempo, “rejeita a criminalização do movimento, qualquer repressão e punição dos estudantes”.

Londrina, 7 de novembro de 2016

Comando de Greve dos Docentes

Assembleia do Sindiprol|Aduel suspende a greve

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Em assembleia realizada na tarde desta sexta-feira dia 4 de novembro, no auditório Cyro Grossi no CCB da UEL, os professores deliberaram por ampla maioria, alguns votos contrários e poucas abstenções:

  1. Suspensão do movimento de greve com retomada das atividades na terça-feira, com tempo para organizar os espaços de aula, a realização de uma reunião com a reitora exigindo a não criminalização do movimento dos estudantes;
  2. Para essa decisão, o comando baseou-se na retirada temporária da emenda número 43, fato que torna novamente válida a lei que garante o reajuste salarial – inflação de 2016 – em janeiro de 2017;
  3. Caso o governo não se comprometa pública e rapidamente a garantir o reajuste integral e/ou reapresente nova alteração/revogação da lei que o garante, o Comando deve chamar imediatamente uma assembleia para avaliação e deliberação;
  4. Orienta ainda a manutenção da organização docente (Comando de greve e reuniões nos centros) e o estabelecimento de um calendário de mobilização;
  5. Por fim, como a conjuntura local e nacional está marcada pelo profundo ataque aos trabalhadores em geral e, em particular, aos servidores públicos, o Comando indica o fortalecimento das discussões, esclarecimentos e ações entre as três categorias constitutivas da universidade em favor do ensino superior público e gratuito.
  • Aprovaram-se também os seguintes posicionamentos:
    • A Assembleia de docentes defende a autonomia do movimento estudantil e suas formas de organização.
    • Ao mesmo tempo, rejeita a criminalização do movimento, qualquer repressão e punição dos estudantes.
    • A Assembleia docente repudia a postura da reitoria de judicializar a ocupação da rádio.
    • Que o Conselho Universitário seja convocado para se manifestar contra os ataques que a universidade vem sofrendo.
  • Deliberou-se que nas reuniões por centros sejam debatidos a PEC 241 e a MP 746, a lei da mordaça e a escola sem partido.
  • Investigar a petição da reitoria de “reintegração de posse” da reitoria que estaria acusando os estudantes de consumir drogas e praticar sexo na ocupação.
  • Divulgar informações para subsidiar aos professores com matérias para debater em sala de aulas acerca dos problemas da universidade e dos ataques do governo (arrecadação e despesas, roubo da ParanaPrevidência, etc.)

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ESCLARECIMENTOS JURÍDICOS SOBRE A DECISÃO DO STF E A GREVE NO PARANÁ

Na sessão do plenário do Supremo Tribunal Federal de quinta-feira, dia 27 de outubro, foi fixada a seguinte tese de repercussão geral: “A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores públicos, em virtude da suspensão do vínculo funcional que dela decorre, permitida a compensação em caso de acordo. O desconto será, contudo, incabível se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder Público”.

 

Em linhas gerais, significa dizer que o Supremo estabeleceu o entendimento que deve orientar as decisões do poder judiciário a partir de agora: os órgãos públicos poderão abster-se do pagamento de salários dos funcionários, ressalvando, contudo, os casos em que se reconhecer que a greve ocorreu por uma conduta ilegal da Administração Pública, ocasião em que não poderá haver descontos. A decisão, por outro lado, não exclui a possibilidade da realização de acordo para compensação dos dias parados, o que hoje ocorre no desfecho da maioria dos movimentos grevistas.

 

No caso da atual greve deflagrada pela categoria dos docentes no Estado do Paraná, é evidente a ilicitude da conduta do Poder Público.

 

Em 2015, com o intuito de encerrar a greve, o Governo do Estado comprometeu-se a realizar o pagamento de reajuste salarial a ser repassado aos servidores em janeiro de 2017, na forma consolidada pela Lei Estadual 18.493. Comprometeu-se também a manter uma mesa de negociação coletiva permanente.

 

Ocorre que, de forma surpreendente, desleal e com evidente má-fé, o governo encaminhou à Assembleia emenda à lei de diretrizes orçamentárias (PL 153/2016), procurando suspender o pagamento do reajuste acordado e previsto em lei, assim descumprindo, sem qualquer diálogo e de maneira unilateral, os compromissos assumidos com os trabalhadores em 2015.

 

Assim agindo, o Governo do Estado incorreu em afronta à Convenção nº 151 da OIT, que possui força de lei no ordenamento jurídico nacional. A apresentação da emenda também não observou o princípio administrativo da motivação. Por fim, caso aprovada, a legislação afronta ao princípio constitucional da irredutibilidade salarial.

 

Considerando o comportamento ilícito por parte do governo do estado do Paraná, é descabido qualquer desconto de salários dos servidores em greve.

 

RETROCESSO

 

A decisão do STF impõe grave ônus ao servidor público no que tange a seu direito constitucional de greve e, nitidamente, teve como intuito desestimular paralisações legitimas, o principal meio de reivindicações do trabalhador à Administração Pública.

 

Para sustentar a decisão, os ministros consideraram que o risco de greve geral ameaça o governo, resultando em evidente desequilíbrio nas relações de trabalho administrativas, uma vez que os prejuízos serão impostos somente a trabalhadores e trabalhadores.

 

O entendimento do STF, além de contrária à Constituição que deveria defender, constitui grave obstáculo à principal função da greve: construir o acesso à negociação entre servidores públicos e Administração, permitindo a paridade de forças no processo, sem submissão dos trabalhadores a abusos e arbitrariedades do Poder Público, evidenciando uma escalada conservadora do Supremo em relação aos Direitos Sociais.

 

Mesmo diante do notório retrocesso que caracteriza a decisão do STF, aos servidores, mais do que nunca, incumbe apostar na organização da categoria, sem deixar de confiar na mobilização maciça e na utilização da greve como instrumento legítimo para consolidação de garantias e conquistas, repudiando e denunciando os ataques contra o funcionalismo público e contra a desvalorização dos servidores públicos.

 

 

COMISSÃO JURÍDICA DO COMANDO DE GREVE

RESPOSTA DOS PROFESSORES AO GOVERNO

Em resposta ao “Termo de Acordo” divulgado pelo governo, a assembleia dos docentes do Sindiprol|Aduel declara publicamente à população do Paraná e ao Governo Beto Richa, que sempre está aberta ao diálogo, mas, não pode aceitar a chantagem implícita naquele “Termo” que ameaça se, “até o final de novembro e não havendo uma proposta substitutiva – que atenda requisitos e limitações legais e financeiras”, tomará medidas “necessárias para manter o equilíbrio financeiro do Estado”, ou seja, não pagar a reposição da inflação de 2016.

Os professores da UENP, UNESPAR-Apucarana e UEL exigem que o governo primeiro cumpra a Lei, o que significa pagar a reposição da inflação de 2016 acrescido de 1%. Por isso, o fim da greve fica condicionada à completa e definitiva retirada pelo governo da emenda 43 à LDO.

25 de outubro de 2016

Algo de novo no reino das Universidades Federais?

Não há como prever os resultados finais da greve, mas desde já se podem perceber algumas conquistas significativas. Docentes e estudantes que ingressaram nos últimos tempos nas Universidades participam ativamente de um movimento coletivo e sentem-se parte de uma comunidade universitária que pode sim atuar unida em torno de pautas comuns.

Marcelo Badaró Mattos – Universidade Federal Fluminense

São muitas vezes surpreendentes os caminhos que levam a movimentos coletivos como as greves. Quem poderia prever que depois de sete anos sem qualquer greve nacional unificada as Instituições Federais de Ensino Superior viveriam uma nova greve nacional e com tanta força que recebeu em poucos dias a adesão dos(as) docentes de 44 instituições, incluindo praticamente todas as que foram criada nesses últimos anos e a maior parte das grandes federais mais antigas, como a UFRJ, UFF, UNIRIO e UFRRJ (para ficar no exemplo das do Rio de Janeiro)? Quem poderia dizer que nas novas instituições e nos novos campi das antigas, fruto do tão propagandeado processo de expansão formatado pelas regras do REUNI*, surgiriam os setores docentes e discentes mais mobilizados para esse enfrentamento? Como imaginar que até naquelas instituições em que surgiu e implantou-se uma representação docente de caráter oficialista – o PROIFES –, cujo objetivo evidente é conter as lutas da categoria, fossem ressurgir movimentos autônomos das(os) docentes, convocando assembleias, contrariando direções pelegas e construindo também lá a mobilização (e ao que parece em breve a greve)? Quem apostaria que nas Instituições Federais de Ensino Superior, que por certo forneceram muitos votos ao atual governo federal na expectativa de manutenção da política de expansão e dos reajustes salariais anuais, tão forte e resoluta fosse a adesão a um movimento acusado pelo governo e os governistas de ser fruto de uma mera manipulação política de setores oposicionistas?

A dinâmica dos conflitos sociais nos reserva surpresas, mas não nos dispensa de compreendê-las. Porque uma greve tão forte emergiu nestes últimos dias?

Para entendê-lo é necessário reconhecer que a pauta do movimento, curta e direta, representa de fato uma forte insatisfação. A pauta: uma reestruturação da carreira docente e a melhoria das condições de trabalho. Sobre a carreira, a questão é simples: após 25 anos de aprovação do Plano Único que passou a reger a carreira docente, em 1987, sucessivas políticas salariais para a Universidade depreciaram e desestruturaram a carreira. O que se reivindica é, basicamente, uma única linha de vencimento nos contracheques (com a incorporação das gratificações e o entendimento do percentual de titulação como parte do vencimento), com 13 níveis, steps (percentuais entre os níveis) de 5%, acesso interno à carreira ao nível de Professor Titular, com paridade entre ativos e aposentados e isonomia entre professores(as) da carreira do magistério superior e da carreira de ensino básico, técnico e tecnológico. O piso para professor 20h no início da carreira seria de R$ 2.329,35 (um salário mínimo do DIEESE, calculado com base nas necessidades mínimas de um trabalhador e sua família, conforme dita a Constituição). O governo acena com uma carreira mais desequilibrada em termos salariais, com um piso baixíssimo e promoções atreladas a critérios produtivistas, visando diferenciar um pequeno contingente melhor remunerado (por projetos e pela atuação em pós-graduações) e uma imensa maioria de docentes sobrecarregados com a elevação da carga de trabalho em sala de aulas de graduação. Já quanto às condições de trabalho, cinco anos após o início do REUNI, as instituições federais criaram centenas de novos cursos e ampliaram em dezenas de milhares as suas vagas de ingresso discente. O governo, entretanto, não garantiu até agora nem mesmo o relativamente (à ampliação das matrículas) pequeno número de concursos públicos para docentes com o qual se comprometeu em 2007. As obras de expansão carecem de verbas para sua complementação, gerando ausência de laboratórios, bibliotecas e salas de aula nas novas unidades, assim como superlotação nas antigas. Some-se a isso a enorme deficiência no campo da assistência estudantil, cada vez mais necessária na medida em que entre os novos estudantes tendem ingressar contingentes cada vez maiores de trabalhadores(as) e filhos(as) de trabalhadores(as), sem condições de arcar com os custos de transporte, moradia, alimentação e material didático minimamente necessários para a vida universitária.
A greve pode ter colhido a muitos(as) de surpresa, mas está longe de ser um fenômeno de difícil explicação. Professores e professoras (e estudantes que aderem ao movimento em muitas universidades) optaram por esse instrumento de luta porque estão conscientes de sua necessidade diante da deterioração de sua carreira e das condições de trabalho. E perceberam que ou freiam agora o desmonte, ou serão arrastados ao fundo do poço em poucos anos.

Greve?

Tão logo a greve foi anunciada, surgiram de imediato combatentes antigreve no interior das Universidades. Seus argumentos não são novos para quem já viveu outros processos grevistas. Vale rebatê-los apenas para relembrar aspectos do passado recente das lutas em defesa da Universidade Pública que podem escapar aqueles(as) que a elas se integraram nos últimos anos.

Greves paralisam só as graduações e prejudicam apenas os estudantes de graduação? Tal argumento foi usado principalmente a partir dos anos 2000, quando a pressão das agências financiadoras/avaliadoras sobre as pós-graduações para cumprirem metas produtivistas gerou um núcleo de docentes que assumiu internamente (ou como membros de comitês das agências) o papel de feitores da produtividade coletiva, alardeando o pânico dos prazos e metas ante qualquer rumor de questionamento. As greves tradicionalmente pararam aulas de graduações e pós e podem continuar a fazê-lo. Prejudicam os estudantes? Momentaneamente prejudicam estudantes, professores e técnico-administrativos que as fazem, é óbvio, mas significam justamente o sacrifício de um calendário regular de atividades (com os prejuízos materiais e pessoais que isso pode representar) em nome de um projeto maior de Universidade Pública. Assim evitamos a cobrança das mensalidades, com a greve de 1982; garantimos os direitos dos professores precariamente contratados ao longo da ditadura, com as greves da primeira metade dos anos 1980; conquistamos a isonomia entre instituições fundacionais e autárquicas e a carreira docente, com a greve de 1987; descongelamos as vagas para concursos docentes, com a greve de 2001; barramos ou derrubamos diversas propostas e práticas desastrosas para o caráter público e a qualidade do trabalho universitário (projeto GERES; propostas de “regulamentação” da autonomia; efeitos da reforma do Estado; carreira de “emprego público”; gratificações produtivistas, quebras de isonomia e paridade e etc.), e preservamos minimamente os salários (que ainda assim perderam muito do seu valor de compra ao longo dos anos). Estivemos longe de fazer greves meramente corporativistas, pois sempre pautamos a garantia da qualidade do trabalho de ensino, pesquisa e extensão nas universidades, o que foi sempre reconhecido pelos(as) estudantes, muitas vezes com greves conjuntas, como a que já ocorre agora em diversas universidades. Seriam os(as) estudantes tolos(as), que apoiam algo que lhes prejudica tanto assim? Ou o discurso que os vitimiza em relação à greve é apenas uma artimanha de desqualificação do movimento e da consciência estudantil?
Desqualificar as mobilizações de trabalhadores e de estudantes, qualificando-as como produto de minorias e forças “estranhas” (partidos, sindicatos, intenções políticas oposicionistas) ao corpo social – universitário neste caso –, é aliás uma das estratégias recorrentes nos argumentos antigreve dos setores conservadores. Um recurso retórico em tudo congruente com a longa trajetória de desqualificação da população trabalhadora pelo discurso das classes dominantes, que no Brasil sempre apontaram as “ideologias alienígenas” (anarquistas, comunistas, sindicalistas, ou o que seja) como responsáveis pelas perturbações à ordem, através da “manipulação” de grupos tomados como “massas de manobra”, enquanto a maioria do “povo” – “ordeiro e pacífico” (claro!) – assistiu a tudo indiferente, quando não “bestializado”. Teriam tanta força nas Universidades Federais dois ou três partidos de oposição de esquerda ao governo, que juntos somaram cerca de 1% na última eleição, para manipularem segundo seus interesses políticos dezenas de milhares de docentes? São as(os) docentes universitárias(os) tão parvos assim? E as(os) estudantes também? Se o Sindicato Nacional é tão carente de representatividade, por que reúne um contingente tão significativo de associados em suas sessões sindicais? Porque assembleias supostamente “ilegítimas” reúnem cada uma centenas de professores(as), que trocam informações, avaliam a situação, discutem e se posicionam coletivamente? Por certo que o questionamento à legitimidade vem sempre acompanhado de tentativas de profecias auto-realizáveis: “não vou à assembleia porque ela é ilegítima e tem pouca participação” (e não indo, contribui-se para fazer menor a participação e assim arguir sua legitimidade). O que vem muitas vezes acompanhado de uma fala ainda mais autocentrada de questionamento dos espaços coletivos de deliberação, não por cercearem a palavra, mas por aprovarem posturas contrárias às do indivíduo que questiona: “Já fui muito, mas desisti, pois o espaço é antidemocrático, já que toda vez que falei contra a greve perdi as votações”. Há argumentos mais falaciosos, como o de que as greves não geram resultado algum ou que esvaziam a Universidade dificultando o debate e a mobilização, ou ainda que docentes recebemseus salários quando fazem greve. Difícil tomá-los como simples fruto de diferentes visões políticas, pois falseiam a realidade. A história das greves docentes está sendo cada vez mais pesquisada e diversos trabalhos acadêmicos já fizeram o balanço e avaliaram a importância desses movimentos nas últimas três décadas. Um quadro sintético dos resultados das greves nas Instituições Federais pode ser consultado em http://www.sedufsm.org.br/index.php?secao=greve. As greves sempre potencializaram o debate – interno às Universidade e público – sobre as políticas para o ensino superior no país e parar a atividade universitária é o único meio de garantir mobilizações multitudinárias nas ruas. Que debate sobre o ensino superior estão fazendo os antigreve em suas aulas cotidianas? De que mobilizações em defesa da Universidade Pública estão participando enquanto dão suas aulas? Já quanto aos salários, não seria absurdo que o direito de greve fosse respeitado e os salários pagos, mas todos(as) se lembram de como em diversas greves que ultrapassaram um mês de duração os salários foram cortados (cuidado! O governo corta os salários de todo mundo, inclusive dos(as) que continuam dando aulas!), como na greve de 2001, em que dois meses foram sucessivamente cortados e só pagos depois que as mobilizações da greve arrancaram decisões judiciais favoráveis em meio a “guerras de liminares”.

Não é difícil entender as motivações dos(as) que se propõem a furar uma greve (fura-greves pode ser um “conceito nativo” com conotação negativa, como pelego, mas é compartilhado por todos os estudiosos dos fenômenos grevistas nas Ciências Humanas e Sociais, porque corresponde ao que expressa). Em alguns casos, acomodam-se a – e reproduzem – determinadas situações de poder; em outros estão por demais enredados em mecanismos de apropriação privada de recursos através da Universidade Pública (como cursos pagos e consultorias); algumas vezes apenas estão aferrados a defesa do governo de “seu” partido. Outras vezes, um pouco de tudo isso está presente.

Fazer a greve

As respostas mais significativas aos antigreve sempre foram construídas pelos próprios movimentos e seus resultados objetivos. Não se trata de docentes que não aprenderam com as lições do passado, mas de deliberada retomada de argumentos desgastados para marcar posição e construir a rede de reverberação interna às arengas conservadoras tradicionais dos governos e da mídia. No entanto, greves fortes e participativas, como esta está se desenhando desde o começo, atropelam sem maiores problemas tais tentativas de deslegitimação da luta coletiva.

Não há como prever os resultados finais da greve, mas desde já se podem perceber algumas conquistas significativas. Docentes e estudantes que ingressaram nos últimos tempos nas Universidades participam ativamente de um movimento coletivo e sentem-se parte de uma comunidade universitária que pode sim atuar unida em torno de pautas comuns. No reino do individualismo, da concorrência e do produtivismo, ouve-se um coro de vozes falando como uma só, fazendo ecoar cantos de solidariedade, dignidade, coletividade e consciência de classe.
Nessa toada – de uma greve apoiada pela maioria da categoria dada a justiça de suas reivindicações e que ganha do apoio à adesão dos estudantes pelo aspecto da defesa da Universidade Pública e da qualidade do ensino – estamos diante da construção de um movimento suficientemente forte para gerar repercussão pública, apoio social e, com essas condições, dobrar o governo e garantir ganhos efetivos. Transformar esse potencial em realidade é o que nos cabe a partir de agora.