Levantamento mostra docentes trabalhando durante pandemia

 em Boletins, Destaque

Pesquisa realizada pelo Sindiprol/Aduel avaliando o primeiro mês de isolamento social mostra que 92% dos docentes que responderam ao questionário estão realizando atividades não presenciais desde os primeiros dias da suspensão das aulas nas universidades e que cerca de um quarto deles está trabalhando mais de oito horas diárias.

O levantamento, realizado por meio do Google Formulários, teve por objetivo conhecer as condições do trabalho dos docentes neste primeiro momento da pandemia. Um total de 316 docentes responderam às perguntas entre os dias 14 e 28 de abril: 239 da UEL, 65 da Unespar/Apucarana e 11 da Uenp.

Os principais dados

Dentre os docentes que responderam à pesquisa, 162 são mulheres, 152 são homens e dois se declararam não binários. Com relação à faixa etária, a maior parte possui de 51 a 60 anos e 15% têm mais de 60 anos.

Ao todo, 95% dos docentes informaram que estão realizando atividades de trabalho durante a pandemia, considerando aqueles que realizam atividades presenciais, remotas ou a combinação de ambas.

A grande maioria (em torno de 90%) realiza atividades remotas como orientações de estudantes, emissão de pareceres e participação em bancas e reuniões por meio de aplicativos como Zoom, Skype, entre outros, ou via mensagens de e-mail e WhatsApp.

Pouco mais de 9% dos docentes estão realizando atividades presenciais, tais como supervisão de residentes e estagiários, pesquisa em laboratórios e atendimento em unidades de prestação de serviços Os principais dados das universidades. Entre esses, 12 docentes consideram que as condições de trabalho presenciais não são adequadas para sua proteção.

Com relação ao tempo de trabalho, 69% estão trabalhando até oito horas diárias, 22% mais de oito horas e 9% não responderam.

Quando perguntados sobre como qualificam as demandas de trabalho diante das condições impostas pela pandemia, 17% dos docentes qualificam como exaustivo e outros 12% como totalmente incompatível ou raramente compatível com a situação de isolamento social. Ainda assim, 66% consideram que a demanda de trabalho atual é compatível, total ou parcialmente, com o isolamento social, e que, portanto, as atividades profissionais não estão tendo impacto danoso sobre suas vidas. Por fim, constatou-se que 85% encontram-se acompanhados em suas casas durante o período de isolamento social.

Nossas considerações

Preocupa o indicativo de que uma parcela dos docentes, mesmo que pequena, possa estar correndo risco maior ao realizar atividades presenciais sem as devidas condições de trabalho.

Preocupa também o fato de que, neste primeiro momento, marcado pela surpresa e pela necessidade de adaptação, um percentual significativo dos docentes esteja sendo demandado a trabalhar mais que oito horas diárias e, ainda, que uma parcela destes considere essa demanda incompatível com a situação de isolamento social.

A condição de isolamento social, de incertezas e medo diante da pandemia que se espalha pelo mundo e pelo país, não pode ser encarada como coisa menor. Esse cenário produz diferentes graus de ansiedade e suas repercussões interferem em nossa vida, nossa saúde e em nossa capacidade de trabalho. A isso tudo se somam as condições adversas causadas pelo confinamento de crianças em casa, de idosos que necessitam de atenção especial e toda sorte de situações decorrentes do isolamento.

Estudos têm demonstrado que as atividades não presenciais, como reuniões por videoconferência, por exemplo, exigem dos participantes mais atenção para se expressar e para se fazer entender devido à ausência de um dos elementos essenciais à comunicação entre os indivíduos, ou seja, a comunicação não verbal, limitada nessa forma de comunicação intermediada pela tecnologia. Quer seja pela ansiedade natural à situação do isolamento social, pelas incertezas, ou pelas dificuldades objetivas da vida em isolamento, as sensações de exaustão e de esgotamento são cada vez mais comuns.

A considerar as respostas obtidas como uma amostra da realidade dos docentes que compõem a base do Sindiprol/Aduel, pode-se afirmar que, mesmo em condições adversas, a absoluta maioria está trabalhando, e uma parcela significativa já dá sinais de que as condições desse trabalho não são adequadas, um alerta para se pensar as atividades dos docentes em época de pandemia.

O jornal completo pode ser baixado aqui.

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