Já está disponível no canal do Sindiprol/Aduel no YouTube o minidocumentário Autonomia Universitária!
No material, apresentamos uma breve linha do tempo dos ataques à autonomia universitária no Paraná ao longo dos últimos anos. Reunimos professores (as) dos nove Centros de Estudos da UEL para explicar as principais medidas adotadas pelos governos e mostrar como elas afetam diretamente as condições de trabalho, o ensino, a pesquisa e a extensão.
O segundo turno da eleição presidencial se aproxima. No dia 25 de outubro de 2026, os brasileiros e as brasileiras decidirão quem irá ocupar o maior cargo do Executivo da nação. O Comando Sindical Docente (CSD) manifesta profunda preocupação com os rumos econômicos, políticos e sociais a serem tomados a depender do resultado das eleições. O CSD expressa repúdio e oposição à candidatura do representante do campo da extrema-direita, que coloca em risco as conquistas históricas da sociedade brasileira por estar alinhado aos interesses contrários aos da classe trabalhadora, na contramão da expansão e do desenvolvimento das universidades públicas, no desdém pela ciência, na flexibilização dos direitos trabalhistas, na desproteção social, na defesa de privatizações, no rebaixamento dos serviços públicos, na criminalização dos movimentos sociais e no cerceamento das liberdades democráticas. Não coadunamos com retrocessos políticos que se expressam na defesa do golpismo e do fascismo. Rechaçamos a política entreguista e subserviente do candidato da extrema-direita, que destrói a soberania nacional e subordina o Brasil aos desmandos dos Estados Unidos da América. Em defesa da Ciência! Em defesa das Universidades Públicas! Em defesa da Classe Trabalhadora! Em defesa da Soberania Nacional!
Nos últimos dias, a campanha de Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em uma série de ações contra sindicatos, entidades estudantis, movimentos sociais e organizações de comunicação.
Entre as organizações citadas estão o ANDES-SN, a CUT, a UNE, a UJS, o MST, o Sindipetro Unificado e o Fonasefe, entre outras.
As iniciativas incluem pedidos de remoção de publicações, suspensão de perfis e restrições à atuação dessas entidades durante o período eleitoral.
Em casos específicos e mais graves, houve medidas efetivas: o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) teve 13 publicações suspensas. As últimas postagens traziam críticas a temas que constam no programa de campanha de Flávio Bolsonaro, como a defesa da Reforma Administrativa e do modelo de contratação por hora em oposição à CLT. Nenhuma das publicações pedia votos.
O Sindicato Unificado dos Petroleiros dos Estados de São Paulo, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul (Sindipetro Unificado) sofreu uma determinação de suspensão da circulação de seu jornal “Petróleo dos Brasileiros”.
Os episódios levantam preocupações sobre a liberdade de expressão, a autonomia sindical e o direito das organizações de informar a sociedade e debater propostas políticas que afetam os trabalhadores e os serviços públicos.
Os sindicatos têm o direito e o dever de informar suas categorias e a sociedade sobre propostas políticas que afetam diretamente os direitos trabalhistas, os serviços públicos e as condições de vida da população. É direito dos sindicatos criticar projetos que possam prejudicar sua base, recuperar o histórico de medidas governamentais e alertar sobre possíveis retrocessos.
Impedir a circulação dessas informações representa um grave risco ao pluralismo democrático, sobretudo em um período eleitoral, quando o acesso à informação é fundamental para que a população forme sua opinião de maneira consciente.
Defendemos a liberdade de expressão, a autonomia sindical e o direito de organização e manifestação dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Manifestamos nossa solidariedade às entidades atingidas e reafirmamos que não aceitaremos que a atuação sindical seja silenciada quando cumpre seu papel de defender o serviço público, os direitos sociais e os interesses da classe trabalhadora.
O movimento sindical brasileiro não vai ser calado!
O SINDIPROL/ADUEL manifesta seu apoio e solidariedade aos estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que se reuniram no Restaurante Universitário (RU), na última quinta-feira, (8), em uma manifestação em defesa das universidades públicas, das liberdades democráticas e da ciência.
A mobilização na UEL integra um contexto mais amplo de manifestações estudantis em diferentes regiões do Brasil, reafirmando a importância da organização coletiva e da participação democrática na defesa da educação pública e gratuita. Com os atos e movimentos, começaram ondas de ameaças e perseguições que, no caso do movimento da UEL, foram feitas pelo Whatsapp e devem ser tratadas com a devida seriedade que o assunto merece. A universidade pública é um espaço de produção e compartilhamento do conhecimento, de formação crítica, de liberdade de pensamento, de debate e manifestação democrática.
Episódios como, o incêndio que atingiu o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da instituição, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), na quarta-feira (7), causam tristeza e preocupação e devem ser devidamente apurados. O fogo destruiu laboratórios, equipamentos, amostras, dados e anos de trabalho científico. Pesquisas de diversas temáticas, como câncer, autismo e obesidade foram totalmente ou parcialmente perdidas gerando prejuízos materiais e científicos. Horas antes do incêndio, estudantes relatam terem recebido ameaças incluindo referência a “explodir o departamento” e menções ao contexto eleitoral, o que reafirma a necessidade de uma apuração séria dos fatos.
Na UFS (Universidade Federal de Sergipe), também na noite de ontem (8), manifestantes relatam que um homem atirou para o alto no ato dos estudantes em frente à universidade, gerando pânico no local. O caso está sendo apurado.
Nenhuma comunidade universitária deve ser submetida à intimidação, à ameaça ou à violência por expressar suas ideias, organizar manifestações ou defender princípios democráticos. A liberdade de organização e de manifestação é parte fundamental da vida universitária e deve ser respeitada e protegida.
O SINDIPROL/ADUEL reafirma seu compromisso com a defesa da universidade pública, da ciência, das liberdades democráticas, da autonomia universitária e do direito dos estudantes, docentes e demais integrantes da comunidade universitária de se manifestarem de forma livre e segura.
O Meta-4 é um sistema de gestão de recursos humanos
O RH Paraná – Meta-4 é um software utilizado para administrar folhas de pagamento e informações de pessoal. Foi contratado pelo Governo do Paraná, na década de 1990, da empresa espanhola Meta4, e é gerenciado pela Celepar. Já na década de 1990, houve uma tentativa de impor o sistema META-4 à Universidade Estadual de Londrina (UEL) e à Universidade Estadual de Maringá (UEM), mas houve resistência e o TJ-PR reconheceu a autonomia das universidades para gerir seus recursos humanos.
O Governo do Paraná decidiu ampliar o uso do sistema para as universidades
Em 2012, o Governo determinou, por meio do Decreto nº 3.728/2012, a implantação do Meta-4 para a gestão dos gastos com pessoal de toda a administração estadual, incluindo as Universidades Estaduais.
As universidades já possuíam sistemas próprios de gestão
A UEL, por exemplo, utilizava o sistema Ergon, que havia recebido investimento de recursos próprios da Universidade e estava integrado a mais de 40 subsistemas administrativos e acadêmicos. A própria SETI e a Celepar reconhecem que o sistema da UEL era tecnicamente mais avançado que o Meta-4.
A questão não é apenas qual sistema processa a folha
Embora o Meta-4 seja apresentado pelo Governo e pelo Tribunal de Contas como uma ferramenta para operacionalizar a folha de pagamento, a discussão envolve quem tem o poder de decidir sobre a gestão de pessoal das universidades. A implantação do sistema centraliza decisões que antes estavam sob responsabilidade das próprias instituições.
O Meta-4 permite maior interferência do Governo na gestão de pessoal
Em 2017, a Casa Civil informou que decisões relacionadas a TIDE, licenças, afastamentos para cursos e outros atos administrativos passariam a depender de autorização da Comissão de Política Salarial do Estado. Essa centralização fere a autonomia administrativa das universidades.
A centralização atinge a autonomia administrativa das universidades
A Constituição Federal estabelece, no artigo 207, que as universidades possuem autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial. Submeter decisões de gestão de pessoal a órgãos do Governo significa reduzir essa autonomia.
Também está em jogo a autonomia financeira
A autonomia financeira significa que a universidade deve poder administrar seus recursos de acordo com suas próprias prioridades, dentro da legislação e do orçamento aprovado. O controle prévio e centralizado sobre despesas de pessoal interfere diretamente nessa capacidade de gestão.
O Meta-4 já está sendo utilizado como instrumento de controle sobre as carreiras
Com as universidades submetidas ao sistema, o Governo pode aplicar a elas mecanismos de controle utilizados em outros setores do Estado, inclusive reter progressões e outros direitos previstos nos planos de carreira. Isso já está acontecendo, como no caso do congelamento de 19 meses na contagem para os avanços dos quinquênios.
O Meta-4 nas universidades estaduais do Paraná
Desde suas criações, a Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) e a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) foram submetidas ao Meta-4. A retirada da UNESPAR e da UENP do Meta-4 foi uma das medidas acordadas no processo de negociação da greve de 2015, mas o acordo não foi cumprido. A partir de 1º de janeiro de 2026, UEPG, Unicentro, UEL, UEM e Unioeste passaram a processar suas folhas de pagamento diretamente pelo Meta-4, deixando os sistemas próprios que utilizavam anteriormente.
A justificativa da falta de transparência é uma falácia
As universidades já forneciam ao Governo as informações de pessoal e seus portais de transparência disponibilizavam os dados sobre pagamentos. Portanto, a implantação do Meta-4 não seria necessária para garantir transparência, mas representa uma forma adicional de controle sobre a gestão universitária.
O problema central é a substituição da autonomia pelo controle centralizado
O Meta-4 representa uma tentativa de submeter as universidades aos mesmos mecanismos de gestão utilizados nos demais órgãos da administração estadual, desconsiderando sua condição constitucional de instituições dotadas de autonomia.
Reunião do Comando Sindical Docente (CSD) com o secretário da Seti, Aldo Bona (17/08), tratou das reivindicações da campanha salarial – destacando a equiparação com o piso do magistério da educação básica e acesso ao professor titular –, da extensão do auxílio-alimentação aos docentes com contratos temporários e dos limites à concessão do regime TIDE. Também reivindicou a urgência do aumento de vagas docentes previstas na LGU diante da expansão das universidades e da melhoria das condições de trabalho docente. Os desdobramentos do sistema Meta 4 foram reforçados pelas dirigentes sindicais, enfatizando o congelamento de 19 meses na contagem para os avanços dos quinquênios. A questão do financiamento das universidades estaduais foi problematizada, sobretudo, pela configuração das encomendas governamentais.
Campanha salarial: piso salarial e incorporação da classe de titular na carreira
A campanha salarial de 2026 teve como ponto central a recomposição salarial da categoria docente no ensino superior público estadual paranaense, reivindicando o pagamento da data-base, a equiparação do piso com o do magistério da educação básica e a incorporação do Professor Titular na carreira. Com avassaladora defasagem salarial de 45%, o funcionalismo público foi escanteado pelo descaso do governador Ratinho Jr., que não reconheceu e não negociou uma proposta para o enfrentamento do acúmulo de não pagamento da revisão anual dos salários. Fez uma opção política que se centrou na reestruturação das carreiras do funcionalismo público, com sinuosa discrepância entre as categorias. De forma a desconsiderar o quadro de defasagem salarial, apresentou à Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep) proposta de revisão anual de 5% que, absolutamente, ficou aquém das reivindicações.
Em conversas durante a campanha com o secretário Aldo Bona, vimos insistentemente apresentando a urgência de atendimento das pautas salariais, tendo como finalidade a recomposição dos salários. No percurso da campanha salarial, novamente somos atropelados pelas reitorias – por meio da Apiesp –, que insistiu em reapresentar uma proposta de revisão da carreira do magistério do ensino superior público do estado, inserindo modificações em relação à classe de auxiliar (incorporando mais um nível), inserindo o nível D na classe Associado e apresentando a incorporação da Classe de Titular na carreira, sem a necessidade de fazer concurso específico.
Pois bem, é fundamental enfatizar que a defesa da ascensão à classe de professor Titular na carreira é uma reivindicação antiga da categoria docente e não se configura como novidade no debate, pois há mais de vinte anos vem sendo defendida pela categoria, tendo sido, inclusive, recentemente, pauta da greve docente de 2023. Em março, o Comando Sindical já havia levado ao secretário Bona a defesa da ascensão ao professor titular, dando continuidade a uma reunião realizada ainda em dezembro de 2025.
O que é inconcebível é o modus operandi da Apiesp, que insiste em atuar como instância sindical, que, à revelia das seções sindicais, apresenta proposta de alteração na carreira, desconsiderando, por exemplo, a luta pela equiparação do piso com o do magistério da educação básica. A tentativa de atenuar (de forma muito marginal) a defasagem salarial, criando um novo nível no auxiliar, vai no sentido contrário à defesa de equiparação do piso salarial com o piso do magistério. Além disso, os 3% de recuperação que propiciaria à maior parte dos docentes têm caráter excludente, sobretudo em relação aos aposentados, onde há parcela relevante dos docentes que seria excluída.
Como já noticiado, a proposta apresentada pela Apiesp (Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público) não foi levada à Alep dentro do prazo anunciado e em conformidade com a lei eleitoral, e retornou à Seti. O secretário Aldo Bona informou que a avaliação jurídica do Estado é de que a legislação eleitoral impede o encaminhamento da proposta até o encerramento do atual governo. O projeto, porém, deverá continuar sua tramitação interna, com instrução e pareceres, para que esteja em condições de avançar em 2027. Isso significa que sua efetivação dependerá do próximo governo. Apesar dos estudos e da instrução já realizados, não existe garantia sobre o destino da proposta. Bona também teria informado que as seções sindicais poderão apresentar sugestões durante esse período e que isto não prejudica o andamento interno do processo, já que não há nenhuma possibilidade de efetivação neste ano. Objetivamente, isto significa que esta é mais uma reivindicação não atendida por este governo, que se encerrará sem a resolução da questão.
O que resulta do tema debatido é que, neste ano eleitoral de 2026, as possibilidades de recomposição salarial ficam cada vez mais distantes e seguimos acumulando arrocho salarial.
Docentes com contratos temporários seguem sem auxílio-alimentação:
A reunião também terminou sem avanço para os professores com contratos temporários sem isonomia no pagamento de auxílio-alimentação, que é concedido apenas aos docentes efetivos. Tendo como princípio a isonomia entre os docentes, o CSD, novamente, pautou a necessidade de expansão do auxílio-alimentação aos docentes com contratos temporários. Oportuno mencionar que o comando faz a crítica à natureza de tal auxílio, pois é uma remuneração que não é incorporada à aposentadoria e não se configura como recomposição nos salários, deixando à mercê os aposentados e profissionais que são contratados temporariamente. No entanto, a luta pela isonomia é tarefa imprescindível e não pode ser renunciada.
O secretário expôs que reconhece a importância da reivindicação, porém, considerando que haveria impacto para todo o funcionalismo público, uma vez que as contratações temporárias crescem no estado, não haveria condições orçamentárias para atender tal reivindicação. Vale a denúncia do cenário de precarização das condições de trabalho dos servidores públicos contratados por regimes temporários. Quanto maior o contingente de trabalhadores/as nessa condição, maior também é a economia obtida pela não concessão do auxílio.
LGU e a perda de vagas docentes
Em relação à LGU, o comando cobrou o período de quatro anos de implantação da lei e de sua revisão, prevista na própria Lei. A cobrança não esteve atrelada ao endosso da LGU, pois o posicionamento sindical é pela sua revogação. Com a LGU, ocorreu a perda de 745 vagas docentes nas sete universidades estaduais paranaenses. Há um descompasso entre o crescimento e expansão das universidades, como, por exemplo, o aumento de cursos de pós-graduação e, consequentemente, aumento do número de estudantes, e a atrofia do quadro docente. Tendo em vista que o indicador relativo à pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) considera o número de alunos e que houve elevação deste indicador, isto permitiria a recuperação de parte do quantitativo docente perdido pelas universidades. O atraso na publicação do decreto atualizando o quantitativo docente (que deveria ter sido publicado em abril) evidencia que a LGU só é respeitada quando implica em perda para as universidades. A atualização das vagas não elimina os prejuízos, apenas permite uma recuperação parcial e insuficiente do que foi perdido. Portanto, mesmo após a publicação do decreto, permanecerá a luta contra a LGU.
Bona informou que os cálculos estão em fase de conclusão e deverão ser apresentados em setembro em reunião da Seti com a Apiesp. O secretário também se comprometeu com a publicação de decreto oficializando o novo quadro ainda em 2026.
A LGU, em vigor desde 2021, é o instrumento utilizado pelo Estado para estabelecer parâmetros de gestão de pessoal e lotação nas universidades, inclusive para concursos públicos. A própria Seti apresenta a lei como mecanismo para padronizar a gestão de pessoal das instituições estaduais. O movimento sindical sempre denunciou os prejuízos causados pela LGU, mas observa que o não cumprimento da atualização do quadro amplia estes prejuízos.
Dedicação exclusiva: Seti reconhece que limite de 70% deixou de ter validade
Partindo da situação de recusa à concessão do TIDE que vem ocorrendo na Unioeste, o Comando questionou o secretário sobre a negativa da Reitoria diante da solicitação de implantação do regime de dedicação exclusiva sob a justificativa de limitações orçamentárias impostas pelo governo estadual. A Adunioeste já interpelou a Reitoria e as explicações recebidas para a recusa foram consideradas insuficientes. O Comando Sindical questionou diretamente se isso significava que ainda estaria sendo observado o limite de 70% anteriormente estabelecido e declarado inconstitucional.
Ainda que o Secretário reconheça que este limite não tem mais validade legal, a posição apresentada pela Seti é de que a implementação depende de uma tramitação para a inclusão no orçamento das universidades dos recursos necessários ao pagamento decorrente da concessão, e o que se observa, na prática, é que a limitação ao TIDE permanece uma prática. Trata-se de procedimento semelhante ao existente antes da LGU e que, até então, jamais impediu a concessão da dedicação exclusiva. Os sindicatos ressaltaram que o artigo declarado inconstitucional era estritamente restritivo, estipulando o máximo de 70%, mas que a garantia do direito ao regime de dedicação exclusiva lhe era anterior e isto foi reconhecido pelo Tribunal de Justiça.
O secretário também afirmou que a concessão do regime aos atuais docentes não impede que novos concursos públicos sejam realizados prevendo vagas com dedicação exclusiva.
Meta 4 reacende disputa pelos 19 meses da pandemia
O sistema Meta 4 e seus efeitos sobre a autonomia universitária também foram levados à reunião. O problema envolve os 19 meses correspondentes ao período da pandemia da Covid-19 que deixaram de ser considerados para determinadas vantagens funcionais do funcionalismo, como a contagem de quinquênios.
As universidades estaduais que não estavam inseridas no sistema Meta 4 até janeiro de 2026 continuaram contando normalmente esse período no exercício de sua autonomia. Com a implantação do Meta 4, entretanto, a Secretaria de Estado da Administração teria orientado que as instituições também descontem os 19 meses para o cálculo do quinquênio. Para o Comando Sindical, a situação representa nova interferência na autonomia das universidades.
A categoria voltou a reivindicar a edição de um decreto que regulamente o descongelamento. No caso das universidades, isso permitiria retomar a contagem do tempo; para outras categorias do funcionalismo, a discussão também deve, além disso, implicar no pagamento dos valores que deixaram de ser recebidos durante o período.
A questão continua em aberto. As assessorias jurídicas das seções sindicais e também do Fórum das Entidades Sindicais (FES) estão em processo de análise para pensar em estratégias para buscar uma solução concreta para a situação que gera muitas preocupações.
Comando Sindical Docente critica modelo das encomendas governamentais
O financiamento das universidades foi o último item tratado na reunião. O CSD voltou a criticar a utilização das chamadas Encomendas Governamentais como mecanismo para repasse de recursos às instituições, em substituição a editais universais.
O modelo vem sendo efetivamente utilizado pela Seti. Documentos oficiais publicados em 2026 mostram encomendas governamentais destinadas às instituições estaduais de ensino superior, com projetos e recursos previamente distribuídos entre universidades.
As seções sindicais apontaram que até mesmo um programa consolidado e reconhecido, como o Universidade Sem Fronteiras, foi convertido neste ano em Encomenda Governamental. Para além disso, os dirigentes sindicais apontaram que o processo de seleção interna nas universidades teve prazo extremamente curto para apresentação dos projetos e, inclusive, em alguns casos, implicou na impossibilidade de previsão de período recursal. Nesse ponto, o secretário afirmou que a opção pela Encomenda Governamental não deve significar imposição de prazo exíguo. O secretário afirmou que uma encomenda governamental continua envolvendo edital público e, portanto, não pode impedir a apresentação de recursos, e que verificaria a situação.
Tendo em vista a oficialização de que não ocorrerá nenhuma nova alteração na carreira nem qualquer reposição salarial, já é possível fazer um balanço dos oito anos do governo Ratinho Júnior. E este balanço é extremamente negativo para as universidades estaduais – cuja autonomia foi atacada pela LGU e pelo Sistema Meta 4 e cujo funcionamento é atravessado pela decorrente intensificação do trabalho docente –, e sobretudo para a categoria docente, que amarga uma defasagem salarial de 45%, que permanece sem o acesso à classe de titular não regulamentado e que não teve qualquer resposta à sua reivindicação de equiparação do piso salarial com o piso do magistério.
A luta contra as medidas de um governo neoliberal, portanto, avesso à qualificação e valorização dos serviços públicos, em especial, às universidades estaduais e aos seus servidores, é uma exigência que se repõe na conjuntura atual.
Em defesa das Universidades Públicas Estaduais Paranaenses!
Cerca de 80 pessoas, entre docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes, participaram, na noite desta quarta-feira (19), da palestra “Redução da autonomia financeira das universidades: repercussões sobre as condições de trabalho, o endividamento e a saúde docente”. A atividade foi realizada no CESA e integra a Campanha em Defesa da Autonomia Universitária, promovida pelo Comando Sindical Docente (CSD).
A abertura dos trabalhos foi realizada pela diretora do Sindiprol/Aduel, Lorena Portes, que apresentou a campanha e destacou a importância de ampliar o debate sobre a defesa da autonomia das universidades públicas. Em sua fala, Lorena abordou a tarefa política e sindical de evidenciar as sucessivas ameaças à autonomia universitária e a importância de congregar toda a comunidade acadêmica na luta intransigente pela sua conquista histórica.
Na sequência, representantes de entidades sindicais e estudantis fizeram breves falas em apoio à iniciativa. A professora Andressa Fracaro Cavalheiro, do Sindunespar, participou como representante do Comando Sindical Docente (CSD). Também falou Gilson Luiz Pereira Filho, tesoureiro-geral do Sindsaúde, representando o Coletivo de Sindicatos de Londrina e Região e Hélio Chaves, estudante de Física e secretário do DCE.
Após a abertura, a palestra contou com as exposições do Prof. Dr. Diego Marques (Andes-SN/UFBA) e da Prof.ª Dr.ª Fernanda de Freitas (Andes-SN/UEL), que discutiram a redução da autonomia financeira das universidades e suas repercussões sobre o trabalho e a vida dos docentes. Diego focou sua fala nos dados levantados pelo Andes-SN que foram disponibilizados no caderno “Panorama do Financiamento das Instituições de Ensino Superior Públicas no Brasil”. Diego destacou a tendência de desfinanciamento que assola as universidades públicas brasileiras, evidenciando o panorama nacional de crescimento de instituições privadas no ensino superior e consequentemente aumento de matrículas, em detrimento do crescimento no setor público, mesmo considerando o aumento de universidades públicas nos últimos anos.
Fernanda, focou sua fala nos dados do caderno “Enquete Nacional – Condições de Trabalho e Saúde Docente” também do Andes-SN. A professora destacou aspectos como o alto índice de endividamento docente, que é ainda maior entre mulheres e pessoas negras, além do elevado número de docentes que declararam sofrer de doenças físicas e mentais. Ao fim das exposições, foram abertas duas rodadas de perguntas feitas pelo público.
A realização da palestra faz parte das ações da Campanha em Defesa da Autonomia Universitária, que busca mobilizar a comunidade acadêmica e a sociedade para discutir os impactos das políticas de financiamento e gestão sobre as universidades públicas e sobre as condições de trabalho de seus servidores. Em breve a palestra será disponibilizada no canal do Sindiprol/Aduel no Youtube.
Na tarde do dia 13 de agosto, reunidos em assembleia, docentes da Universidade Estadual de Londrina discutiram os desdobramentos da campanha salarial de 2026, apontando os desafios diante do ano eleitoral, mas insistindo na cobrança da recomposição salarial, pautando a equiparação com o piso do magistério da educação básica e a incorporação da classe de Titular na carreira. Na próxima segunda-feira, dia 17h, haverá reunião com a SETI, e os pontos debatidos serão levados na reunião com o Secretário Aldo Bona.
Outro ponto central da assembleia foi a apresentação da Campanha em Defesa da Autonomia Universitária, organizada pelo Comando Sindical Docente, que teve sua abertura com a palestra ministrada pelo Professor Dr. Roberto Leher. A diretoria apresentou as atividades que estão sendo desenvolvidas, convidando a categoria a participar e contribuir com proposições. As questões internas à Universidade – na reafirmação da sua autonomia – , deram o tom da discussão feita pelos docentes presentes na assembleia. Um dos aspectos destacados foi o congelamento do ATS por 19 meses, como um dos impactos da entrada da Universidade no sistema Meta 4.
A autonomia universitária constitui uma das categorias centrais para a compreensão da universidade pública brasileira e de suas relações com o Estado, a sociedade e o financiamento público. Embora esteja formalmente assegurada pelo artigo 207 da Constituição Federal de 1988 e pelo artigo 180 da Constituição do Estado do Paraná, a autonomia permanece como um conceito em disputa, marcado por diferentes interpretações e por permanentes tensões entre a garantia legal e as condições concretas de sua realização.
A trajetória do debate sobre a autonomia universitária nas Instituições Estaduais de Ensino Superior (IEES) do Paraná, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988 até os dias atuais, é marcada por um tensionamento constante entre o movimento sindical, as pressões das comunidades acadêmicas e as políticas de controle fiscal e administrativo dos sucessivos governos estaduais.
Como forma de reafirmar o preceito constitucional da autonomia universitária, bem como expor e denunciar os ataques que se avolumam em direção às universidades, e pretendendo mobilizar a comunidade universitária para a reafirmação e defesa intransigente da AUTONOMIA, o Comando Sindical Docente convida todas e todos para a mesa “Redução da autonomia financeira das universidades: repercussões sobre as condições de trabalho, o endividamento e a saúde docente”, que será realizada no dia 19 de agosto, na sala 477 do CESA, às 19h, e contará com a participação da Prof.ª Dr.ª Fernanda de Freitas (Andes-SN/UEL) e do Prof. Dr. Diego Marques (Andes-SN/UFBA).