Reunião do FES com o Governo do Estado 

Na sexta-feira, 27 de fevereiro, representantes do Fórum das Entidades Sindicais (FES) participaram de reunião com o Governo do Estado do Paraná, com a presença de integrantes da Casa Civil, da Secretaria da Fazenda (Sefa) e da Secretaria da Administração e da Previdência (Seap). A reunião tinha dois pontos na pauta: data-base do funcionalismo e recomposição da tabela dos agentes de apoio. 

O governo sinalizou que haverá pagamento da data-base em 2026, embora ainda não tenha sido definido o índice de reposição salarial. A data-base é uma reivindicação central das entidades sindicais para recompor as perdas inflacionárias acumuladas pelos servidores públicos estaduais ao longo dos últimos dez anos. De acordo com os cálculos apresentados pelas entidades, a defasagem salarial deverá atingir 52,18% até abril de 2026. Diante desse cenário, é fundamental que a categoria permaneça atenta ao índice que será apresentado pelo governo, pois a nossa luta é pela reposição integral das perdas e abertura de uma mesa permanente de negociações. Portanto, é fundamental manter a organização e a mobilização. 

Em relação à tabela dos agentes de apoio, a avaliação apresentada na reunião é de que há grande possibilidade de aprovação da proposta, o que representaria um avanço para esse segmento do funcionalismo público estadual. 

Além desses pontos da pauta, também foram tratados a chamada lei do descongela (Lei Complementar nº 226/2026) e a situação dos aposentados sem paridade. 

Sobre a lei do descongela, o governo informou que ainda estuda como regulamentá-la no âmbito do funcionalismo público estadual e de que forma será realizado o pagamento retroativo dos respectivos anuênios e quinquênios, que, no período de 28 de maio de 2020 a 31 de dezembro de 2021, tiveram sua contagem suspensa pela Lei Complementar nº 173/2020. As entidades sindicais ressaltaram a importância de que essa regulamentação ocorra com celeridade, garantindo o reconhecimento integral dos direitos represados durante o período de congelamento. 

Outro ponto tratado foi a situação dos aposentados sem paridade. O governo informou que se comprometeu a analisar alternativas jurídicas e administrativas que permitam a concessão de reajustes às aposentadorias. Trata-se de uma demanda antiga e urgente, diante das perdas acumuladas que atingem especialmente esse segmento do funcionalismo. 

O Sindiprol/Aduel seguirá acompanhando as negociações conduzidas pelo FES e manterá a categoria informada sobre os desdobramentos relativos à data-base e aos direitos dos aposentados. 

– Data-base já! 

– Paralisação dia 17 de março! Todos rumo à manifestação em Curitiba! 

Diretoria do SindiprolAduel 

Londrina, 04 de março de 2026 

BOLETIM À COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA E À SOCIEDADE 

Em defesa da UEL, da verdade e da universidade pública 

No dia 26/02, o apresentador Cid Ribeiro, utilizou o seu programa de televisão para atacar os docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a própria universidade, difundindo acusações completamente desprovidas de fundamento acerca da paralisação docente agendada para o dia 17/03 e do indicativo de greve, que será debatido em assembleia no dia 19/03. Igualmente, disseminou informações falsas e opiniões preconceituosas sobre a universidade e a sua comunidade acadêmica. 

Diante da gravidade das declarações, é necessário esclarecer os fatos. 

1. Dos fatos à incompetência jornalística 

A assembleia foi apenas de professores, não de “professores e servidores [deveria ter dito agentes universitários, pois professores também são servidores]”, como erroneamente está na notícia divulgada. Do mesmo modo, quem convocou a assembleia não foi a “seção sindical da UEL” (que não existe), mas o SindiprolAduel, seção sindical dos docentes da UEL. Ou seja, como um jornalismo que não consegue acertar naquilo que é simples, elementar, pode tratar com correção temas complexos? 

2. A paralisação docente não é imotivada ou orientada por interesses políticos, ela é consequência do descaso do governo com os docentes do magistério superior 

A mobilização dos docentes não ocorre por interesse político ou corporativismo, como foi insinuado. Ela é resultado direto de anos de perdas salariais acumuladas, ausência de recomposição inflacionária e crescente precarização das universidades estaduais. 

Entre 2016 e 2025, a defasagem salarial da remuneração básica acumulada ultrapassou os 52%. Diante da ausência de negociação do governo com a categoria, a paralisação é um instrumento legítimo de luta e de defesa do serviço público e da própria universidade. 

Devido à política de contratação temporária, há professores doutores na UEL que não recebem nem o piso do magistério da educação básica. Para um professor graduado contratado em 40 h, o salário é inferior ao de um aluno-soldado operacional de 2ª classe da PM. Depois de mais de duas décadas de carreira, um docente doutor tem salário inferior ao piso de um capitão da PM (apenas graduado) em início de carreira. 

Portanto, a greve não é causa dos problemas da universidade, mas sintoma do abandono estatal. 

3. A afirmação de que os cursos da UEL demorariam mais para serem concluídos por causa de greves não encontra respaldo na realidade 

Nas poucas greves que ocorreram na última década (30 dias em 2019; 15 dias em 2023), a UEL reorganizou calendários acadêmicos após os movimentos paredistas para garantir com celeridade a integralização curricular dos estudantes. Mais recentemente, o atraso no calendário deveu-se basicamente à suspensão das aulas durante alguns meses da pandemia.  

Portanto, o argumento do apresentador é pura falácia retórica com a finalidade de incrementar audiência – pois, parafraseando Umberto Eco, se o amor é egoísta, o ódio é generoso e une as pessoas por um sentimento comum. Em outras palavras, ele dissemina o ódio para ganhar telespectadores – e dinheiro. 

4. Ataques à qualidade da UEL ignoram a realidade 

Ainda mais grave foi a afirmação de que a universidade teria se tornado um “antro de perdição” e perdido qualidade nos últimos anos. Qual o fundamento dessas afirmações? Desde quando jornalismo que se pretende profissional se informa por correntes de WhatsApp ou reverbera como fato o mais rebaixado e deturpado senso comum? O jornalismo televisivo deveria se apoiar em fatos, apurar informações fidedignas para informar a população (princípio básico do jornalismo desde o Século das Luzes); porém, no caso desse jornalista, os fatos não importam, pois o seu objetivo é vociferar factoides e mentiras pela tela para ganhar audiência. 

Primeiramente, é importante salientar que a UEL é uma instituição democrática, laica e diversa, com presença cada vez maior de estudantes oriundos de famílias da classe trabalhadora. 

E quanto às supostas “informações” sobre perda de qualidade dos seus cursos, os fatos (e dados) demonstram exatamente o contrário. 

Nas últimas décadas, a UEL: 

  • ampliou significativamente sua produção científica; 
  • ampliou e consolidou programas de pós-graduação: em 2005, a UEL tinha 25 cursos de mestrado e 8 de doutorado; em 2026, tem 47 de mestrado e 33 de doutorado; 
  • aumentou sua inserção em rankings acadêmicos: de acordo com o Times Higher Education: World University Rankings (2026), dentre as 204 universidades públicas e privadas do país, a UEL ocupa a 13ª posição; 
  • formou milhares de profissionais altamente qualificados que atuam em todo o país; 
  • mantém cursos reconhecidos entre os melhores do Brasil em diversas áreas, com 6 programas de pós-graduação com excelência internacional – notas 6 e 7, sendo que 7 é a nota máxima. 

Portanto, apesar dos sucessivos ataques dos governos à autonomia universitária e do subfinanciamento, a UEL não perdeu qualidade; ao contrário, pelo esforço do seu quadro de docentes e agentes universitários, ela resistiu e avançou. 

5. Desqualificar a universidade pública é atacar a sociedade 

Quando um comunicador afirma que não colocaria seus filhos na UEL, ele não está apenas expressando uma opinião pessoal, mas se utilizando de uma concessão pública para contribuir com a desinformação da população e para a tentativa recorrente de deslegitimar instituições que são patrimônio coletivo da sociedade. 

A realidade, porém, é inequívoca: em praticamente todas as áreas do conhecimento, os cursos da UEL apresentam desempenho acadêmico superior ao de instituições privadas do estado, tanto em avaliação de ensino quanto de pesquisa e extensão. 

De acordo com o Ranking Universitário da Folha 2025, dentre as 10 melhores universidades do estado do Paraná, 8 são públicas. Dentre estas, a UEL ocupa o 3º lugar geral (UFPR, 1º, UEM, 2º) e o 2º em inovação.  

Conforme publicação do Perobal, segundo o QS World University Rankings: América Latina e Caribe 2026, “das 492 IES avaliadas, apenas 32 possuem uma proporção de doutores no corpo docente maior que o da UEL”. Portanto, com um corpo docente altamente qualificado, a UEL é a principal instituição responsável pela formação de médicos, professores, engenheiros, pesquisadores, juristas e profissionais que sustentam o desenvolvimento de Londrina e região há mais de cinco décadas. 

6. O verdadeiro debate que precisa acontecer 

O que deveria estar na boca do apresentador não é a desqualificação irresponsável da universidade, mas sim a cobrança por: 

  • financiamento adequado do ensino superior público; 
  • valorização dos profissionais que garantem ensino, pesquisa e extensão; 
  • uma universidade pública e gratuita. 

Nos últimos anos, tornou-se muito usual o ataque midiático baseado em opinião sem evidência visando desviar o debate dos problemas reais da sociedade. Infelizmente, o supracitado jornalista aderiu a essa prática perversa.  

7. Em defesa da UEL 

A Universidade Estadual de Londrina pertence à sociedade paranaense. Seus docentes, estudantes e agentes universitários constroem diariamente uma instituição reconhecida nacionalmente pela qualidade acadêmica e pelo impacto social. 

Em uma democracia, a crítica pública é legítima e necessária, mas deve ser responsavelmente exercitada. Porém, a disseminação de informações falsas não é crítica, é desinformação – portanto, é prática antidemocrática. 

Seguiremos defendendo: 

  • a universidade pública, 
  • a valorização do trabalho docente, 
  • e o direito da sociedade ao acesso a informações verdadeiras. 

Defender a UEL é defender a educação pública paranaense e brasileira. 

Diretoria do Sindiprol/Aduel – Seção Sindical dos Docentes da UEL – Andes-SN