Comando Sindical Docente reafirma reivindicações da categoria docente em reunião com a Secretaria do Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti)

Reunião do Comando Sindical Docente (CSD) com o secretário da Seti, Aldo Bona (17/08), tratou das reivindicações da campanha salarial – destacando a equiparação com o piso do magistério da educação básica e acesso ao professor titular –, da extensão do auxílio-alimentação aos docentes com contratos temporários e dos limites à concessão do regime TIDE. Também reivindicou a urgência do aumento de vagas docentes previstas na LGU diante da expansão das universidades e da melhoria das condições de trabalho docente. Os desdobramentos do sistema Meta 4 foram reforçados pelas dirigentes sindicais, enfatizando o congelamento de 19 meses na contagem para os avanços dos quinquênios. A questão do financiamento das universidades estaduais foi problematizada, sobretudo, pela configuração das encomendas governamentais.

Campanha salarial: piso salarial e incorporação da classe de titular na carreira

A campanha salarial de 2026 teve como ponto central a recomposição salarial da categoria docente no ensino superior público estadual paranaense, reivindicando o pagamento da data-base, a equiparação do piso com o do magistério da educação básica e a incorporação do Professor Titular na carreira. Com avassaladora defasagem salarial de 45%, o funcionalismo público foi escanteado pelo descaso do governador Ratinho Jr., que não reconheceu e não negociou uma proposta para o enfrentamento do acúmulo de não pagamento da revisão anual dos salários. Fez uma opção política que se centrou na reestruturação das carreiras do funcionalismo público, com sinuosa discrepância entre as categorias. De forma a desconsiderar o quadro de defasagem salarial, apresentou à Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep) proposta de revisão anual de 5% que, absolutamente, ficou aquém das reivindicações.

Em conversas durante a campanha com o secretário Aldo Bona, vimos insistentemente apresentando a urgência de atendimento das pautas salariais, tendo como finalidade a recomposição dos salários. No percurso da campanha salarial, novamente somos atropelados pelas reitorias – por meio da Apiesp –, que insistiu em reapresentar uma proposta de revisão da carreira do magistério do ensino superior público do estado, inserindo modificações em relação à classe de auxiliar (incorporando mais um nível), inserindo o nível D na classe Associado e apresentando a incorporação da Classe de Titular na carreira, sem a necessidade de fazer concurso específico.

Pois bem, é fundamental enfatizar que a defesa da ascensão à classe de professor Titular na carreira é uma reivindicação antiga da categoria docente e não se configura como novidade no debate, pois há mais de vinte anos vem sendo defendida pela categoria, tendo sido, inclusive, recentemente, pauta da greve docente de 2023. Em março, o Comando Sindical já havia levado ao secretário Bona a defesa da ascensão ao professor titular, dando continuidade a uma reunião realizada ainda em dezembro de 2025.

O que é inconcebível é o modus operandi da Apiesp, que insiste em atuar como instância sindical, que, à revelia das seções sindicais, apresenta proposta de alteração na carreira, desconsiderando, por exemplo, a luta pela equiparação do piso com o do magistério da educação básica. A tentativa de atenuar (de forma muito marginal) a defasagem salarial, criando um novo nível no auxiliar, vai no sentido contrário à defesa de equiparação do piso salarial com o piso do magistério. Além disso, os 3% de recuperação que propiciaria à maior parte dos docentes têm caráter excludente, sobretudo em relação aos aposentados, onde há parcela relevante dos docentes que seria excluída.

Como já noticiado, a proposta apresentada pela Apiesp (Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público) não foi levada à Alep dentro do prazo anunciado e em conformidade com a lei eleitoral, e retornou à Seti. O secretário Aldo Bona informou que a avaliação jurídica do Estado é de que a legislação eleitoral impede o encaminhamento da proposta até o encerramento do atual governo. O projeto, porém, deverá continuar sua tramitação interna, com instrução e pareceres, para que esteja em condições de avançar em 2027. Isso significa que sua efetivação dependerá do próximo governo. Apesar dos estudos e da instrução já realizados, não existe garantia sobre o destino da proposta. Bona também teria informado que as seções sindicais poderão apresentar sugestões durante esse período e que isto não prejudica o andamento interno do processo, já que não há nenhuma possibilidade de efetivação neste ano. Objetivamente, isto significa que esta é mais uma reivindicação não atendida por este governo, que se encerrará sem a resolução da questão.

O que resulta do tema debatido é que, neste ano eleitoral de 2026, as possibilidades de recomposição salarial ficam cada vez mais distantes e seguimos acumulando arrocho salarial.

Docentes com contratos temporários seguem sem auxílio-alimentação:

A reunião também terminou sem avanço para os professores com contratos temporários sem isonomia no pagamento de auxílio-alimentação, que é concedido apenas aos docentes efetivos. Tendo como princípio a isonomia entre os docentes, o CSD, novamente, pautou a necessidade de expansão do auxílio-alimentação aos docentes com contratos temporários. Oportuno mencionar que o comando faz a crítica à natureza de tal auxílio, pois é uma remuneração que não é incorporada à aposentadoria e não se configura como recomposição nos salários, deixando à mercê os aposentados e profissionais que são contratados temporariamente. No entanto, a luta pela isonomia é tarefa imprescindível e não pode ser renunciada.

O secretário expôs que reconhece a importância da reivindicação, porém, considerando que haveria impacto para todo o funcionalismo público, uma vez que as contratações temporárias crescem no estado, não haveria condições orçamentárias para atender tal reivindicação. Vale a denúncia do cenário de precarização das condições de trabalho dos servidores públicos contratados por regimes temporários. Quanto maior o contingente de trabalhadores/as nessa condição, maior também é a economia obtida pela não concessão do auxílio.

LGU e a perda de vagas docentes

Em relação à LGU, o comando cobrou o período de quatro anos de implantação da lei e de sua revisão, prevista na própria Lei. A cobrança não esteve atrelada ao endosso da LGU, pois o posicionamento sindical é pela sua revogação. Com a LGU, ocorreu a perda de 745 vagas docentes nas sete universidades estaduais paranaenses. Há um descompasso entre o crescimento e expansão das universidades, como, por exemplo, o aumento de cursos de pós-graduação e, consequentemente, aumento do número de estudantes, e a atrofia do quadro docente. Tendo em vista que o indicador relativo à pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) considera o número de alunos e que houve elevação deste indicador, isto permitiria a recuperação de parte do quantitativo docente perdido pelas universidades. O atraso na publicação do decreto atualizando o quantitativo docente (que deveria ter sido publicado em abril) evidencia que a LGU só é respeitada quando implica em perda para as universidades. A atualização das vagas não elimina os prejuízos, apenas permite uma recuperação parcial e insuficiente do que foi perdido. Portanto, mesmo após a publicação do decreto, permanecerá a luta contra a LGU.

Bona informou que os cálculos estão em fase de conclusão e deverão ser apresentados em setembro em reunião da Seti com a Apiesp. O secretário também se comprometeu com a publicação de decreto oficializando o novo quadro ainda em 2026.

A LGU, em vigor desde 2021, é o instrumento utilizado pelo Estado para estabelecer parâmetros de gestão de pessoal e lotação nas universidades, inclusive para concursos públicos. A própria Seti apresenta a lei como mecanismo para padronizar a gestão de pessoal das instituições estaduais. O movimento sindical sempre denunciou os prejuízos causados pela LGU, mas observa que o não cumprimento da atualização do quadro amplia estes prejuízos.

Dedicação exclusiva: Seti reconhece que limite de 70% deixou de ter validade

Partindo da situação de recusa à concessão do TIDE que vem ocorrendo na Unioeste, o Comando questionou o secretário sobre a negativa da Reitoria diante da solicitação de implantação do regime de dedicação exclusiva sob a justificativa de limitações orçamentárias impostas pelo governo estadual. A Adunioeste já interpelou a Reitoria e as explicações recebidas para a recusa foram consideradas insuficientes. O Comando Sindical questionou diretamente se isso significava que ainda estaria sendo observado o limite de 70% anteriormente estabelecido e declarado inconstitucional.

Ainda que o Secretário reconheça que este limite não tem mais validade legal, a posição apresentada pela Seti é de que a implementação depende de uma tramitação para a inclusão no orçamento das universidades dos recursos necessários ao pagamento decorrente da concessão, e o que se observa, na prática, é que a limitação ao TIDE permanece uma prática. Trata-se de procedimento semelhante ao existente antes da LGU e que, até então, jamais impediu a concessão da dedicação exclusiva. Os sindicatos ressaltaram que o artigo declarado inconstitucional era estritamente restritivo, estipulando o máximo de 70%, mas que a garantia do direito ao regime de dedicação exclusiva lhe era anterior e isto foi reconhecido pelo Tribunal de Justiça.

O secretário também afirmou que a concessão do regime aos atuais docentes não impede que novos concursos públicos sejam realizados prevendo vagas com dedicação exclusiva.

Meta 4 reacende disputa pelos 19 meses da pandemia

O sistema Meta 4 e seus efeitos sobre a autonomia universitária também foram levados à reunião. O problema envolve os 19 meses correspondentes ao período da pandemia da Covid-19 que deixaram de ser considerados para determinadas vantagens funcionais do funcionalismo, como a contagem de quinquênios.

As universidades estaduais que não estavam inseridas no sistema Meta 4 até janeiro de 2026 continuaram contando normalmente esse período no exercício de sua autonomia. Com a implantação do Meta 4, entretanto, a Secretaria de Estado da Administração teria orientado que as instituições também descontem os 19 meses para o cálculo do quinquênio. Para o Comando Sindical, a situação representa nova interferência na autonomia das universidades.

A categoria voltou a reivindicar a edição de um decreto que regulamente o descongelamento. No caso das universidades, isso permitiria retomar a contagem do tempo; para outras categorias do funcionalismo, a discussão também deve, além disso, implicar no pagamento dos valores que deixaram de ser recebidos durante o período.

A questão continua em aberto. As assessorias jurídicas das seções sindicais e também do Fórum das Entidades Sindicais (FES) estão em processo de análise para pensar em estratégias para buscar uma solução concreta para a situação que gera muitas preocupações.

Comando Sindical Docente critica modelo das encomendas governamentais

O financiamento das universidades foi o último item tratado na reunião. O CSD voltou a criticar a utilização das chamadas Encomendas Governamentais como mecanismo para repasse de recursos às instituições, em substituição a editais universais.

O modelo vem sendo efetivamente utilizado pela Seti. Documentos oficiais publicados em 2026 mostram encomendas governamentais destinadas às instituições estaduais de ensino superior, com projetos e recursos previamente distribuídos entre universidades.

As seções sindicais apontaram que até mesmo um programa consolidado e reconhecido, como o Universidade Sem Fronteiras, foi convertido neste ano em Encomenda Governamental. Para além disso, os dirigentes sindicais apontaram que o processo de seleção interna nas universidades teve prazo extremamente curto para apresentação dos projetos e, inclusive, em alguns casos, implicou na impossibilidade de previsão de período recursal. Nesse ponto, o secretário afirmou que a opção pela Encomenda Governamental não deve significar imposição de prazo exíguo. O secretário afirmou que uma encomenda governamental continua envolvendo edital público e, portanto, não pode impedir a apresentação de recursos, e que verificaria a situação.

Tendo em vista a oficialização de que não ocorrerá nenhuma nova alteração na carreira nem qualquer reposição salarial, já é possível fazer um balanço dos oito anos do governo Ratinho Júnior. E este balanço é extremamente negativo para as universidades estaduais – cuja autonomia foi atacada pela LGU e pelo Sistema Meta 4 e cujo funcionamento é atravessado pela decorrente intensificação do trabalho docente –, e sobretudo para a categoria docente, que amarga uma defasagem salarial de 45%, que permanece sem o acesso à classe de titular não regulamentado e que não teve qualquer resposta à sua reivindicação de equiparação do piso salarial com o piso do magistério.

A luta contra as medidas de um governo neoliberal, portanto, avesso à qualificação e valorização dos serviços públicos, em especial, às universidades estaduais e aos seus servidores, é uma exigência que se repõe na conjuntura atual.

Em defesa das Universidades Públicas Estaduais Paranaenses!

Em defesa da Autonomia Universitária!

Por melhores condições de trabalho!

Pela recomposição salarial!

Autonomia universitária: palestra discute financiamento, endividamento e saúde docente

Cerca de 80 pessoas, entre docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes, participaram, na noite desta quarta-feira (19), da palestra “Redução da autonomia financeira das universidades: repercussões sobre as condições de trabalho, o endividamento e a saúde docente”. A atividade foi realizada no CESA e integra a Campanha em Defesa da Autonomia Universitária, promovida pelo Comando Sindical Docente (CSD).

A abertura dos trabalhos foi realizada pela diretora do Sindiprol/Aduel, Lorena Portes, que apresentou a campanha e destacou a importância de ampliar o debate sobre a defesa da autonomia das universidades públicas. Em sua fala, Lorena abordou a tarefa política e sindical de evidenciar as sucessivas ameaças  à autonomia universitária e a importância de congregar  toda a comunidade acadêmica  na luta intransigente pela sua  conquista histórica.  

Na sequência, representantes de entidades sindicais e estudantis fizeram breves falas em apoio à iniciativa. A professora Andressa Fracaro Cavalheiro, do Sindunespar, participou como representante do Comando Sindical Docente (CSD). Também falou Gilson Luiz Pereira Filho, tesoureiro-geral do Sindsaúde, representando o Coletivo de Sindicatos de Londrina e Região e Hélio Chaves, estudante de Física e secretário do DCE.

Após a abertura, a palestra contou com as exposições do Prof. Dr. Diego Marques (Andes-SN/UFBA) e da Prof.ª Dr.ª Fernanda de Freitas (Andes-SN/UEL), que discutiram a redução da autonomia financeira das universidades e suas repercussões sobre o trabalho e a vida dos docentes. Diego focou sua fala nos dados levantados pelo Andes-SN que foram disponibilizados no caderno “Panorama do Financiamento das Instituições de Ensino Superior Públicas no Brasil”. Diego destacou a tendência de desfinanciamento que assola as universidades públicas brasileiras, evidenciando o panorama nacional de  crescimento de instituições privadas no ensino superior e consequentemente aumento de matrículas, em detrimento  do crescimento no setor público, mesmo considerando o aumento de universidades públicas nos últimos anos.  

Fernanda, focou sua fala nos dados do caderno “Enquete Nacional – Condições de Trabalho e Saúde Docente” também do Andes-SN. A professora destacou aspectos como o alto índice de endividamento docente, que é ainda maior entre mulheres e pessoas negras, além do elevado número de docentes que declararam sofrer de doenças físicas e mentais. Ao fim das exposições, foram abertas duas rodadas de perguntas feitas pelo público.

A realização da palestra faz parte das ações da Campanha em Defesa da Autonomia Universitária, que busca mobilizar a comunidade acadêmica e a sociedade para discutir os impactos das políticas de financiamento e gestão sobre as universidades públicas e sobre as condições de trabalho de seus servidores. Em breve a palestra será disponibilizada no canal do Sindiprol/Aduel no Youtube.

Nota sobre a assembleia docente de 13 de agosto

Na tarde do dia 13 de agosto, reunidos em assembleia, docentes da Universidade Estadual de Londrina discutiram os desdobramentos da campanha salarial de 2026, apontando os desafios diante do ano eleitoral, mas insistindo na cobrança da recomposição salarial, pautando a equiparação com o piso do magistério da educação básica e a incorporação da classe de Titular na carreira. Na próxima segunda-feira, dia 17h, haverá reunião com a SETI, e os pontos debatidos serão levados na reunião com o Secretário Aldo Bona.

Outro ponto central da assembleia foi a apresentação da Campanha em Defesa da Autonomia Universitária, organizada pelo Comando Sindical Docente, que teve sua abertura com a palestra ministrada pelo Professor Dr. Roberto Leher. A diretoria apresentou as atividades que estão sendo desenvolvidas, convidando a categoria a participar e contribuir com proposições. As questões internas à Universidade – na reafirmação da sua autonomia – , deram o tom da discussão feita pelos docentes presentes na assembleia. Um dos aspectos destacados foi o congelamento do ATS por 19 meses, como um dos impactos da entrada da Universidade no sistema Meta 4.

Palestra “Redução da autonomia financeira das universidades: repercussões sobre as condições de trabalho, o endividamento e a saúde docente”

A autonomia universitária constitui uma das categorias centrais para a compreensão da universidade pública brasileira e de suas relações com o Estado, a sociedade e o financiamento público. Embora esteja formalmente assegurada pelo artigo 207 da Constituição Federal de 1988 e pelo artigo 180 da Constituição do Estado do Paraná, a autonomia permanece como um conceito em disputa, marcado por diferentes interpretações e por permanentes tensões entre a garantia legal e as condições concretas de sua realização.

A trajetória do debate sobre a autonomia universitária nas Instituições Estaduais de Ensino Superior (IEES) do Paraná, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988 até os dias atuais, é marcada por um tensionamento constante entre o movimento sindical, as pressões das comunidades acadêmicas e as políticas de controle fiscal e administrativo dos sucessivos governos estaduais.

Como forma de reafirmar o preceito constitucional da autonomia universitária, bem como expor e denunciar os ataques que se avolumam em direção às universidades, e pretendendo mobilizar a comunidade universitária para a reafirmação e defesa intransigente da AUTONOMIA, o Comando Sindical Docente convida todas e todos para a mesa “Redução da autonomia financeira das universidades: repercussões sobre as condições de trabalho, o endividamento e a saúde docente”, que será realizada no dia 19 de agosto, na sala 477 do CESA, às 19h, e contará com a participação da Prof.ª Dr.ª Fernanda de Freitas (Andes-SN/UEL) e do Prof. Dr. Diego Marques (Andes-SN/UFBA).

Novos docentes concursados na UEL e o novo regime de previdência complementar: a lógica de investimento submetida aos riscos do mercado 

Depois de 10 anos sem realizar concurso público para a carreira do magistério superior, a UEL nomeou no primeiro semestre de 2026 os 104 novos docentes. Como esses docentes são os primeiros a ingressar na universidade após a Reforma da Previdência de 2019 (Emenda Constitucional nº 103/2019), eles não estão sujeitos às mesmas regras de aposentadoria dos colegas mais antigos. Por isso, a Pró-Reitoria de Recursos Humanos da UEL reuniu-se com os recém-nomeados para explicar como funcionam as novas regras previdenciárias que já passam a valer para esses docentes. 

O tema da reunião teve como propósito apresentar as alterações previdenciárias no que concerne aos servidores de cargos efetivos, destacando-se que a atribuição dos benefícios concedidos por meio dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) terá o mesmo limite aplicável ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Sendo assim, estados e municípios instituíram regimes complementares para atender ao disposto em lei. A adesão ao Regime de Previdência Complementar (RPC), de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao RGPS, é facultativa. 

No Estado do Paraná, a Assembleia Legislativa (Alep) aprovou a Lei nº 20.777/2021, regulamentada pelo Decreto nº 3.188, de 21 de agosto de 2023, que instituiu o RPC. O decreto dispõe sobre medidas referentes aos efeitos da Portaria Previc nº 1.184, de 22 de novembro de 2022. 

A principal mudança é a limitação ao teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) para as aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) aos servidores que ingressaram no serviço público a partir de 22 de setembro de 2022. 

Como reforçado na página do Governo do Estado, em contrapartida, os servidores que auferem remuneração acima do teto do RGPS têm o direito de manifestar expressamente o interesse de adesão ao Plano de Benefícios da Previdência Complementar, administrado pela conveniada Icatu Fundo Multipatrocinado – ou seja, uma instituição privada e que investe os recursos no mercado financeiro. As contribuições feitas pelo servidor e, também, pelo Governo do Estado do Paraná, na qualidade de patrocinador, garantem a constituição de reservas (poupança) para suplementar as aposentadorias e pensões no futuro. 

Por que chamar a atenção para esse fato? No dia 10 de maio de 2024, o Comando Sindical Docente (CSD) publicou uma nota alertando a categoria docente sobre as mudanças aprovadas pela Alep a respeito do regime de previdência complementar, o qual descaracteriza a Previdência Social Pública. Alinhada às contrarreformas trabalhistas e previdenciárias, mais um golpe é cometido contra a classe trabalhadora. Destacamos na nota que a lógica que atravessa tal discurso é a de um gerencialismo absurdo, pois quebra a solidariedade geracional e transforma a previdência social em uma espécie de poupança, submetida à lógica da rentabilidade mercantil e com o servidor atuando como administrador de seus próprios rendimentos ao diversificar as fontes de pagamento dos benefícios previdenciários. 

Com essa transformação, os novos servidores públicos — no caso da UEL, os docentes recém-aprovados no concurso público e nomeados — ingressam na universidade em um contexto de abrupta contrarreforma previdenciária. Para poderem ampliar as possibilidades de obter um rendimento (quando da aposentadoria) superior ao teto do RGPS, são levados a contratar serviços que se enquadram em regimes que operam como fundos de investimento sujeitos às flutuações e aos riscos inerentes ao mercado financeiro. No documento disponibilizado para a contratação desse tipo de investimento, tal perfil fica evidente; no campo “Declaro que estou ciente de que:”, na alínea e, consta o seguinte registro: “e) Que a adesão ao Plano de Contribuição Definida dos Servidores do Brasil é facultativa e devo acompanhar a evolução do meu saldo, diretamente na área restrita do site da entidade, visto que os investimentos e aplicações financeiras estão expostos a riscos de mercado”

Nesse sentido, cumpre destacar outro elemento muito grave nesse processo, que, além de submeter a previdência à lógica financeira e de mercado, o sistema não confere ao servidor nenhum direito de escolha. O Estado limita-se a realizar aportes de contrapartida em uma única companhia, sem que o novo docente possa optar por diferentes planos, gestoras ou estratégias de investimento para sua própria aposentadoria. 

É fundamental compreender que a previdência complementar é baseada na capitalização individual, a qual fica à mercê das oscilações do mercado financeiro. Tal situação nos leva a problematizar quais caminhos seguir diante de tamanha afronta e desfiguração da previdência enquanto direito social. O caminho é a luta política e sindical, na contramão das investidas do setor privado sobre o setor público. A luta é permanente e coletiva em defesa da recuperação da aposentadoria integral e da paridade, pelo fim da contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas, pelo retorno aos 11% do salário como teto de contribuição e pela eliminação do regime de previdência complementar. 

Essa luta deve ser construída agora, para que as novas gerações de docentes não tenham seus direitos ainda mais aviltados. 

Pela Previdência Social Pública!  

Pela Aposentadoria Integral e com Paridade! 

Pelo fim do Regime de Previdência Complementar! 

Nota de solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras terceirizados responsáveis pelos serviços de limpeza da UEL

Há pouco mais de um mês (01/07/2026), o Sindiprol/Aduel emitiu uma nota de solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras terceirizados responsáveis pela limpeza da UEL. Naquela ocasião, havia denúncias de atraso no pagamento dos salários, bem como problemas no cumprimento de outras obrigações trabalhistas por parte da prestadora de serviços Produserv. 

Passadas quatro semanas, veio à tona a notícia de que a empresa teve suas contas bloqueadas, e que seus funcionários e funcionárias não receberam os salários correspondentes ao mês trabalhado. Vale dizer, todos os órgãos públicos que contam com os serviços da Produserv vivem a mesma situação, ou seja, seus terceirizados estão com atraso salarial.

Como temos insistentemente alertado, a terceirização dos serviços públicos é sinônimo de precarização das condições de trabalho. A médio prazo, a terceirização das atividades-meio das universidades tem funcionado como uma porta aberta à sua gradual privatização. O resultado está aí: centenas de funcionários aos quais se nega o direito mais elementar: a remuneração sem atraso. 

Uma vez mais, o Sindiprol/Aduel se solidariza com os trabalhadores e trabalhadoras terceirizados da UEL. Bem assim, reiteramos que a defesa da universidade passa necessariamente pelo respeito aos que nela trabalham.  

Comando Sindical Docente (CSD) dá início à Campanha em Defesa da Autonomia Universitária com palestra com o Prof. Dr. Roberto Leher (UFRJ)

O Comando Sindical Docente (CSD) dá início à Campanha em Defesa da Autonomia Universitária.
A abertura da campanha será marcada pela palestra do Prof. Dr. Roberto Leher (UFRJ), um dos principais estudiosos da universidade pública brasileira e da autonomia universitária.
Nos últimos anos, as universidades estaduais do Paraná vêm enfrentando um conjunto de medidas que restringem sua autonomia administrativa, financeira e acadêmica. Entre elas estão a implementação da Lei Geral das Universidades (LGU), a adoção do sistema Meta4 para a gestão de pessoal, a ampliação do financiamento condicionado por emendas parlamentares e encomendas governamentais, além dos processos de privatização parcial de serviços públicos vinculados às universidades. Essas iniciativas têm aprofundado o controle externo sobre as instituições, comprometendo sua capacidade de planejamento, sua independência e as condições de trabalho da comunidade universitária.
Esta palestra marca o início de uma campanha que se estenderá ao longo dos próximos meses, com debates, materiais informativos e outras atividades voltadas ao esclarecimento da comunidade universitária e da sociedade sobre os desafios enfrentados pelas universidades públicas paranaenses.
Convidamos todas e todos a acompanhar a programação e fortalecer essa luta.
Universidades Estaduais do Paraná: quem conhece defende! Link para a transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=cmv6AUJMFw4