BOLETIM À COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA E À SOCIEDADE 

Em defesa da UEL, da verdade e da universidade pública 

No dia 26/02, o apresentador Cid Ribeiro, utilizou o seu programa de televisão para atacar os docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a própria universidade, difundindo acusações completamente desprovidas de fundamento acerca da paralisação docente agendada para o dia 17/03 e do indicativo de greve, que será debatido em assembleia no dia 19/03. Igualmente, disseminou informações falsas e opiniões preconceituosas sobre a universidade e a sua comunidade acadêmica. 

Diante da gravidade das declarações, é necessário esclarecer os fatos. 

1. Dos fatos à incompetência jornalística 

A assembleia foi apenas de professores, não de “professores e servidores [deveria ter dito agentes universitários, pois professores também são servidores]”, como erroneamente está na notícia divulgada. Do mesmo modo, quem convocou a assembleia não foi a “seção sindical da UEL” (que não existe), mas o SindiprolAduel, seção sindical dos docentes da UEL. Ou seja, como um jornalismo que não consegue acertar naquilo que é simples, elementar, pode tratar com correção temas complexos? 

2. A paralisação docente não é imotivada ou orientada por interesses políticos, ela é consequência do descaso do governo com os docentes do magistério superior 

A mobilização dos docentes não ocorre por interesse político ou corporativismo, como foi insinuado. Ela é resultado direto de anos de perdas salariais acumuladas, ausência de recomposição inflacionária e crescente precarização das universidades estaduais. 

Entre 2016 e 2025, a defasagem salarial da remuneração básica acumulada ultrapassou os 52%. Diante da ausência de negociação do governo com a categoria, a paralisação é um instrumento legítimo de luta e de defesa do serviço público e da própria universidade. 

Devido à política de contratação temporária, há professores doutores na UEL que não recebem nem o piso do magistério da educação básica. Para um professor graduado contratado em 40 h, o salário é inferior ao de um aluno-soldado operacional de 2ª classe da PM. Depois de mais de duas décadas de carreira, um docente doutor tem salário inferior ao piso de um capitão da PM (apenas graduado) em início de carreira. 

Portanto, a greve não é causa dos problemas da universidade, mas sintoma do abandono estatal. 

3. A afirmação de que os cursos da UEL demorariam mais para serem concluídos por causa de greves não encontra respaldo na realidade 

Nas poucas greves que ocorreram na última década (30 dias em 2019; 15 dias em 2023), a UEL reorganizou calendários acadêmicos após os movimentos paredistas para garantir com celeridade a integralização curricular dos estudantes. Mais recentemente, o atraso no calendário deveu-se basicamente à suspensão das aulas durante alguns meses da pandemia.  

Portanto, o argumento do apresentador é pura falácia retórica com a finalidade de incrementar audiência – pois, parafraseando Umberto Eco, se o amor é egoísta, o ódio é generoso e une as pessoas por um sentimento comum. Em outras palavras, ele dissemina o ódio para ganhar telespectadores – e dinheiro. 

4. Ataques à qualidade da UEL ignoram a realidade 

Ainda mais grave foi a afirmação de que a universidade teria se tornado um “antro de perdição” e perdido qualidade nos últimos anos. Qual o fundamento dessas afirmações? Desde quando jornalismo que se pretende profissional se informa por correntes de WhatsApp ou reverbera como fato o mais rebaixado e deturpado senso comum? O jornalismo televisivo deveria se apoiar em fatos, apurar informações fidedignas para informar a população (princípio básico do jornalismo desde o Século das Luzes); porém, no caso desse jornalista, os fatos não importam, pois o seu objetivo é vociferar factoides e mentiras pela tela para ganhar audiência. 

Primeiramente, é importante salientar que a UEL é uma instituição democrática, laica e diversa, com presença cada vez maior de estudantes oriundos de famílias da classe trabalhadora. 

E quanto às supostas “informações” sobre perda de qualidade dos seus cursos, os fatos (e dados) demonstram exatamente o contrário. 

Nas últimas décadas, a UEL: 

  • ampliou significativamente sua produção científica; 
  • ampliou e consolidou programas de pós-graduação: em 2005, a UEL tinha 25 cursos de mestrado e 8 de doutorado; em 2026, tem 47 de mestrado e 33 de doutorado; 
  • aumentou sua inserção em rankings acadêmicos: de acordo com o Times Higher Education: World University Rankings (2026), dentre as 204 universidades públicas e privadas do país, a UEL ocupa a 13ª posição; 
  • formou milhares de profissionais altamente qualificados que atuam em todo o país; 
  • mantém cursos reconhecidos entre os melhores do Brasil em diversas áreas, com 6 programas de pós-graduação com excelência internacional – notas 6 e 7, sendo que 7 é a nota máxima. 

Portanto, apesar dos sucessivos ataques dos governos à autonomia universitária e do subfinanciamento, a UEL não perdeu qualidade; ao contrário, pelo esforço do seu quadro de docentes e agentes universitários, ela resistiu e avançou. 

5. Desqualificar a universidade pública é atacar a sociedade 

Quando um comunicador afirma que não colocaria seus filhos na UEL, ele não está apenas expressando uma opinião pessoal, mas se utilizando de uma concessão pública para contribuir com a desinformação da população e para a tentativa recorrente de deslegitimar instituições que são patrimônio coletivo da sociedade. 

A realidade, porém, é inequívoca: em praticamente todas as áreas do conhecimento, os cursos da UEL apresentam desempenho acadêmico superior ao de instituições privadas do estado, tanto em avaliação de ensino quanto de pesquisa e extensão. 

De acordo com o Ranking Universitário da Folha 2025, dentre as 10 melhores universidades do estado do Paraná, 8 são públicas. Dentre estas, a UEL ocupa o 3º lugar geral (UFPR, 1º, UEM, 2º) e o 2º em inovação.  

Conforme publicação do Perobal, segundo o QS World University Rankings: América Latina e Caribe 2026, “das 492 IES avaliadas, apenas 32 possuem uma proporção de doutores no corpo docente maior que o da UEL”. Portanto, com um corpo docente altamente qualificado, a UEL é a principal instituição responsável pela formação de médicos, professores, engenheiros, pesquisadores, juristas e profissionais que sustentam o desenvolvimento de Londrina e região há mais de cinco décadas. 

6. O verdadeiro debate que precisa acontecer 

O que deveria estar na boca do apresentador não é a desqualificação irresponsável da universidade, mas sim a cobrança por: 

  • financiamento adequado do ensino superior público; 
  • valorização dos profissionais que garantem ensino, pesquisa e extensão; 
  • uma universidade pública e gratuita. 

Nos últimos anos, tornou-se muito usual o ataque midiático baseado em opinião sem evidência visando desviar o debate dos problemas reais da sociedade. Infelizmente, o supracitado jornalista aderiu a essa prática perversa.  

7. Em defesa da UEL 

A Universidade Estadual de Londrina pertence à sociedade paranaense. Seus docentes, estudantes e agentes universitários constroem diariamente uma instituição reconhecida nacionalmente pela qualidade acadêmica e pelo impacto social. 

Em uma democracia, a crítica pública é legítima e necessária, mas deve ser responsavelmente exercitada. Porém, a disseminação de informações falsas não é crítica, é desinformação – portanto, é prática antidemocrática. 

Seguiremos defendendo: 

  • a universidade pública, 
  • a valorização do trabalho docente, 
  • e o direito da sociedade ao acesso a informações verdadeiras. 

Defender a UEL é defender a educação pública paranaense e brasileira. 

Diretoria do Sindiprol/Aduel – Seção Sindical dos Docentes da UEL – Andes-SN 

INÍCIO DE ANO LETIVO COM MOBILIZAÇÃO CONTRA O ARROCHO SALARIAL: ORGANIZAÇÃO E PARALISAÇÃO DA CATEGORIA 

Nós, docentes da UEL, iniciamos mais um ano letivo reafirmando o compromisso com a formação acadêmica e a produção científica e artística nossa e dos nossos estudantes. No entanto, este retorno às aulas ocorre em meio ao aprofundamento do arrocho salarial imposto pelo governo estadual aos docentes. Conforme os dados mais recentes, entre 2017 e 2026 recebemos apenas 11,14% de reposição salarial, acumulando uma defasagem que já ultrapassa 52% do valor real dos nossos salários. A cada R$ 1.000 de salário recebido, estamos sendo roubados, no mínimo, em R$ 500. Portanto, estamos recebendo o equivalente a 8 salários anuais, não 12 como deveríamos. 

Enquanto algumas carreiras do serviço público estadual tiveram elevação das remunerações, mantêm recomposição salarial integral e têm previsão de reajuste em lei para este ano, o magistério superior acumula perdas em níveis alarmantes. Atualmente, a nossa é a única categoria para a qual exige-se a titulação de doutor para quase todas as contratações, seja de estatutário ou CRES, mas temos pisos salariais mais baixos do que quase todos os profissionais do estado – inclusive do que os agentes universitários. E, além disso, o nosso teto salarial, após quinze anos de carreira, é mais baixo do que o piso de algumas categorias, como Auditores fiscais, Procuradores e Juízes. Isso revela as escolhas políticas que movem a administração do estado: desvalorização do trabalho docente e rebaixamento do papel estratégico da universidade pública no desenvolvimento do Paraná. Situação em franca oposição ao discurso modernizante de Ratinho Jr. Por isso, o tal “Método Paraná” de governar significa, para os docentes, imenso arrocho salarial; para as universidades, supressão da autonomia e precarização. 

Diante desse cenário de insuportável arrocho, a categoria inicia o semestre em estado de mobilização. Na assembleia do dia 25/02, em repúdio ao arrocho salarial e à política de desvalorização do trabalho dos docentes do magistério superior, a categoria decidiu de modo unânime pela paralisação das atividades no dia 17 de março. Ao mesmo tempo, também deliberou pela necessidade de avançarmos na organização coletiva rumo à assembleia do dia 19 de março, quando será deliberada a deflagração ou não de greve. 

A defesa da universidade pública passa necessariamente pela valorização de quem a sustenta diariamente. Participar das mobilizações é fundamental para conquistar melhores salários e condições de trabalho, bem como garantir algum futuro à carreira docente e às universidades estaduais do Paraná. 

– Pela reposição salarial integral! Data-base já!!