

Na quinta-feira (12), o candidato à Reitoria da UEL, Sérgio Carlos de Carvalho, que, junto com Marta Regina Gimenez Favaro, concorre pela chapa “UEL Mais Forte”, visitou o Centro de Vivência do Sindiprol/Aduel. Recebido pela diretoria, o candidato expôs alguns aspectos do programa da Chapa 2 e respondeu a questionamentos dos presentes.

Em assembleia realizada na tarde desta quarta-feira (25/02), as e os docentes da UEL debateram a conjuntura da campanha salarial e os próximos passos da mobilização da categoria. Dentre eles, decidiram, em votação unânime, pela paralisação das atividades no dia 17 de março e realização de nova assembleia em 19 de março para deliberar sobre a deflagração de greve. A pauta da assembleia incluiu os seguintes pontos: campanha salarial; paralisação no dia 17/03; e indicativo de greve.



Após amplo debate, foram aprovadas as seguintes resoluções:
Data-base
Nos últimos dez anos, os governos Beto Richa, Cida Borghetti e Ratinho Jr. não cumpriram com a sua obrigação constitucional de recomposição salarial anual das perdas inflacionárias. De janeiro de 2017 a abril de 2026, a previsão é que a defasagem salarial acumulada atinja 52,18%. São anos sem reposição ou reposição de percentuais ínfimos e, como resultado, uma enorme perda do poder de compra dos trabalhadores da nossa categoria, sem qualquer sinalização de efetiva reposição das perdas salariais e nem de uma mesa de negociação permanente para o diálogo com a categoria. Diante disso, os presentes na assembleia concluíram que a alternativa à intransigência do governo é a intensificação da mobilização e a organização de um movimento de greve.
A assembleia reafirmou a unidade da categoria na defesa da recomposição salarial integral e da valorização do ensino superior público estadual.
Diretoria do SindiprolAduel
25 de fevereiro de 2026
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A política salarial do governo do Estado do Paraná para a educação revela, de forma inequívoca, uma escolha política: a desvalorização sistemática da categoria docente, especialmente do ensino superior público. Entre 2017 e 2025, a somatória de reposição da inflação no nosso piso salarial foi de apenas 11,14%. No mesmo período, a inflação acumulada chegou a 61,95%. O resultado é um resíduo inflacionário de 45,72%. Quando somamos a ele o 1% previsto no acordo de 2015 – firmado para compensar a perda de massa salarial provocada pelo atraso na reposição daquele ano – a perda real acumulada do nosso piso alcança 47,18%. Considerando o IPCA estimado para a data-base de 2026, em 3,60%, a defasagem salarial chegará a 52,18% em maio.
Isso significa que mais da metade do valor real do nosso piso foi corroída pela inflação ao longo dos últimos anos.
Enquanto isso, a defasagem salarial dos servidores do Poder Judiciário e do Poder Legislativo do Paraná é zero. Sim, zero. Excetuando o que será objeto de reivindicação agora em maio, 3,60%, não há perdas acumuladas. Não há corrosão inflacionária. Há recomposição integral. E essa diferença de tratamento não decorre de impossibilidades fiscais, mas de prioridades políticas.
A comparação entre pisos salariais evidencia ainda mais essa desigualdade. Um docente graduado em regime de 40 horas recebe R$ 3.607,51. Já um aluno soldado da Polícia Militar recebe R$ 3.795,18, valor superior ao piso do professor graduado. Um capitão recebe R$ 22.631,21. Delegados de polícia e peritos criminais têm piso de R$ 24.247,12 e teto de R$ 38.570,72, com aumento já definido em lei para agosto. Procuradores iniciam a carreira com R$ 32.350,31 e podem alcançar R$ 41.845,49 – todos graduados. No mesmo regime, mas com a exigência de doutorado, um docente recebe R$ 10.687,27.
Não se trata de colocar categorias umas contra as outras. Trata-se de evidenciar que o governo do estado do Paraná estabelece uma hierarquia política no interior do serviço público. Enquanto há carreiras que recebem valorização contínua, têm reajustes programados e proteção integral contra perdas inflacionárias; outras, como o magistério superior, enfrentam achatamento salarial prolongado, corrosão do poder de compra e ausência de política permanente de recomposição.
No caso dos aposentados, a situação é ainda mais alarmante, pois eles não têm auxílio-alimentação e, quanto aos sem paridade, só recebem qualquer reposição com a data-base ou elevação do piso da categoria, com repercussão sobre toda a tabela salarial.
Essa imensa defasagem salarial dos docentes demonstra que o governo não apenas precariza as condições de trabalho, mas se orienta por uma política sistemática e deliberada de desvalorização dos docentes e, portanto, mesmo num contexto em que a educação se torna fator cada vez mais decisivo de desenvolvimento, o ensino superior público não ocupa posição prioritária em seu projeto de estado. Essa política produz desestímulo, evasão de profissionais e enfraquecimento institucional das universidades estaduais.
O docente universitário é responsável pela formação de profissionais em todas as áreas estratégicas do estado, pela produção científica, pela pesquisa aplicada, pela extensão universitária e pela qualificação de mestres e doutores. A desvalorização dessa carreira compromete a formação de quadros qualificados para o setor público e privado e, assim, a própria capacidade de desenvolvimento regional. Valorizar o ensino superior não é despesa: é investimento estratégico.
Diante disso, exigimos uma mesa de negociação visando à elaboração de uma proposta de reposição integral das perdas inflacionárias, ao respeito da data-base e à construção de uma política permanente de valorização da carreira docente. A universidade pública paranaense é patrimônio da sociedade. Sua defesa passa, necessariamente, pela valorização de quem a sustenta diariamente com trabalho intelectual, científico e formativo.
– Data-base já!
– Por uma mesa de negociação permanente!
– Não há educação valorizada sem valorização da docência!
Diretoria do SindiprolAduel
Nesta quarta-feira (14), finalmente, saiu o primeiro edital de concurso na UEL em mais de dez anos. No entanto, um concurso com vagas muito aquém das demandas da universidade e incorporando a institucionalização da categoria de “temporários-permanentes”, pois a LGU prescreve que 20% do total de docentes previstos para a universidade deve ser destinado para Contrato de Regime Especial – CRES (se assim não o fosse, o número de vagas para o concurso seria substancialmente maior, embora somente haveria um número adequado de vagas com a extinção dos limites impostos pela LGU). Mas, de qualquer modo, será importante essa pequena renovação do quadro docente da universidade.
Em meio à novidade da abertura do concurso, porém, um item do edital chamou a atenção e provocou grande insatisfação entre os docentes, dentre os quais 1/3 é constituído de Contrato de Regime Especial (CRES) e, assim, de possíveis candidatos às vagas do concurso – a saber, o preço da inscrição: R$ 808. Embora baseado em normas internas da universidade, a decisão de publicar o edital com uma taxa tão elevada, tendo inclusive passado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – Cepe, mostrou-se desconectada da realidade econômica e dos princípios inclusivos que têm caracterizado a universidade, pois cria dificuldade ou mesmo uma barreira financeira para uma parcela significativa dos eventuais candidatos e contradiz princípios de acessibilidade e equidade que deveriam nortear os concursos públicos, sobretudo das universidades.
Felizmente, a pressão exercida pela comunidade acadêmica trouxe resultados positivos. A revisão do valor da taxa demonstra a força e a importância da pressão coletiva – nesse caso, pelos canais próprios da administração da universidade. Porém, o novo valor, R$ 484,80, ainda é alto, sobretudo quando comparado aos concursos das universidades federais, cujos valores estão entre R$ 160 e R$ 180.
Consideramos que, embora a redução da taxa seja uma vitória, é importante frisar que, como universidades públicas, as taxas para concurso público não deveriam existir, assim como taxa nenhuma deveria ser cobrada para qualquer serviço da universidade.
– Por uma universidade pública e gratuita!
Baixe a nota em pdf aqui.
