Por unanimidade, docentes em assembleia rechaçam proposta de avaliação docente

Em assembleia virtual do Sindiprol/Aduel realizada na tarde desta quarta-feira (24), todas e todos docentes presentes rejeitaram, de maneira unânime, a minuta de avaliação docente proposta pelo Conselho Universitário (CU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em agosto de 2020.

A decisão esteve embasada no histórico de resistência da categoria contrária a esses instrumentos de avaliação/controle e foi fundamentada numa análise, mesmo preliminar, apresentada pela diretoria do Sindiprol/Aduel. A assembleia também deliberou pela sua ampla divulgação, incluindo todas as instâncias da UEL, a fim de não só se posicionar contra essa minuta e o momento no qual se discute a sua implementação, mas também de subsidiar os docentes em futuros debates.

Texto apresentado e discutido na assembleia:

A avaliação docente e a ocultação dos mecanismos de controle 

Apresentação 

Desde meados de 2013, as diversas administrações da UEL têm insistido em aprovar uma proposta de avaliação de desempenho docente, tanto para os efetivos quanto para os que estão em estágio probatório. Desde lá até hoje, as justificativas praticamente não se alteraram, no entanto, a categoria, junto com o seu sindicato, tem recebido o intento com muitas críticas e resistências, fazendo com que, em diversas ocasiões, o Sindiprol/Aduel convocasse a sua base para discutir o tema em reuniões e/ou assembleias. Em todas aquelas oportunidades, rejeitamos proposta de avaliação pelos motivos que exporemos adiante. Por ora, é importante frisar que esta insistência das administrações atende, direta ou indiretamente, a interesses alheios ao exercício da autonomia universitária, como previsto no art. 207 da Constituição Federal.   

Antes de fazermos uma crítica mais contundente à avaliação proposta e, consequentemente, ao instrumento inerente, que agora circula nos departamentos e centros de estudos para avaliação e sugestões, defendemos que ela precisa ser analisada dentro de uma conjuntura política extremamente desfavorável aos servidores públicos, especialmente os que trabalham nas universidades. Sem desprezar que fazemos esta discussão em meio a maior crise sanitária que o país já passou nos últimos tempos, com mortes diárias por Covid-19 batendo na casa das três mil pessoas, os ataques ao funcionalismo público, em geral, não cessam um só instante, tanto oriundos do governo federal como do estadual. Eles trabalham ardilosamente para desmontar os serviços públicos e não descansam enquanto não conseguirem. Para não irmos muito longe, a mais recente é a aprovação da PEC 186, a famigerada PEC “emergencial” (agora Emenda Constitucional 109), que, de modo geral, faz com que os servidores públicos arquem com uma crise que não é sua, por meio do congelamento de seus salários até 2036. Como se não bastasse, encontra-se na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), da Câmara Federal, a PEC 32 da “reforma administrativa”, que, entre outras maldades, caso aprovada, relativiza a estabilidade de emprego para os atuais servidores, ao criar a figura da “demissão por insuficiência de desempenho”. Como seremos capazes de aprovar um instrumento de avaliação docente tendo uma faca no nosso pescoço que preconiza, se aprovada, a “demissão por insuficiência de desempenho”?  

Se no plano federal se planeja o desmonte dos serviços públicos e torna o servidor público uma peça acessória, descartável, podendo ser substituído por apadrinhados dos governos de plantão, o que dizer, no estado do Paraná, quando Aldo Bona (Seti – Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) chantageia reitores e comunidades universitárias a aceitarem a versão desconhecida da LGU (Lei Geral das Universidades), em troca de uma suposta realização de concurso público? A questão, entretanto, é ainda mais profunda: a LGU, que está prestes a ser enviada à Alep, é mais um instrumento de ataque às universidades públicas paranaenses, concebida por uma lógica mercantil da educação superior, como, de resto, tem seguido a posição do seu chefe, o governador Ratinho Jr. O que a LGU provocaráindependentemente da versão que será enviada à Alepé o rebaixamento da qualidade do ensino público superior, orientado por uma lógica privatista. Diante deste quadro, como discutir e aprovar qualquer instrumento de avaliação docente, a não ser para atender a estes interesses privatistas?  

Às questões acima, é preciso agregar outra igualmente importante: a aceitação, por parte das administrações, da ingerência de organismos externos à universidade, como o Conselho Estadual de Educação que, como consta em seu relatório, “recomenda” que seja normatizado um processo unificado de avaliação de desempenho docente, numa flagrante violação da autonomia universitária e, além disso, ignorando completamente a diversidade dos campos de conhecimento de uma universidade pública que, por sua natureza, inviabiliza qualquer “processo unificado”.  

É preciso reforçar que a universidade já possui mecanismos para avaliar o seu funcionamento acadêmico e administrativo e que, respeitada a autonomia dos departamentos, considerando suas particularidades e áreas de ensino/saber, a avaliação de desempenho docente já se realiza cotidianamente. Outro elemento a enfatizar é que existe um arcabouço estatutário/regimental para coibir as eventuais faltas disciplinares, prevendo inclusive a demissão.  

A estes aspectos mais gerais, acrescentamos, por fim, que uma avaliação de desempenho docente, nos moldes empresariais propostos, pode ferir de morte uma das maiores conquistas das universidades públicas brasileiras: a autonomia universitária conjugada com a liberdade de expressão e de cátedra, a pluralidade de pensamento e a forma democrática de gerir o seu cotidiano, com eleições livres para todos os cargos administrativos e acadêmicos. Dessa forma, ao garantir a coparticipação responsável de toda a comunidade universitária, a universidade vem cumprindo com a sua função social, amparada no tripé do ensino, pesquisa e extensão, conforme define não só a Constituição de 1988, como também seu estatuto e seus regimentos internos, o que lhe tem permitido conquistar os maiores rankings nacionais e internacionais de avaliação acadêmica.  

Análise preliminar do instrumento de avaliação docente 

Um aspecto particularmente problemático deste instrumento de avaliação são os critérios pelos quais o docente deverá ser avaliado, ou seja, relações interpessoais, assiduidade, disciplina e eficiência.  

No que diz respeito ao primeiro item, cabe enfatizar que se trata de avaliação feita por pares de forma absolutamente subjetiva. Afinal, de que maneira se pode avaliar, precisar e pontuar a capacidade do docente de se “comunicar de forma clara e objetiva”, de ser “[assertivo] ao expressar seu ponto de vista”, ou de ser “autêntico mantendo-se coerente em seu comportamento”, como consta do Anexo II? Ao contrário do que se pretende, tal avaliação incorrerá em um sistema de vigilância constante entre os docentes, podendo levar, até mesmo, ao acirramento de disputas, competições e retaliações. Em última instância, criar-se-á uma atmosfera adversa à liberdade de expressão e de cátedra no âmbito da universidade, sobretudo quando houver divergências de natureza política e ideológica. É inegável que as dificuldades inerentes às relações humanas aparecem no cotidiano da universidade pública, posto que, aqui, estão em jogo diferentes visões de mundo e diferentes projetos de Universidade. Esse dinamismo das relações leva a encontros e desencontros constantes que precisam ser revolvidos a partir desse mesmo contexto dinâmico e plural propiciado pelas universidades públicas. No momento em que se pensa um instrumento que cerceia as liberdades dos docentes, perdem-se as condições de possibilidade do fazer político, da construção do conhecimento e da criação, que têm na divergência sua maior aliada. Cabe salientar, por fim, que os processos de sindicância e a execução de atos administrativos existem com o intuito de coibir ou mesmo punir atitudes e comportamentos inadequados por parte dos docentes.  

No que diz respeito aos demais critérios, os docentes já são extensiva e continuamente avaliados por meio da assinatura da folha-ponto, da presença nas aulas de graduação e pós-graduação, da produção acadêmica rigorosamente avaliada pela CAPES, da coordenação e participação em projetos de pesquisa, ensino e extensão, das orientações de estudantes de graduação e pós-graduação, da ocupação de cargos administrativos, e, atualmente, das duplas jornadas de trabalho, uma vez que muitos departamentos sequer possuem secretário(a)s que possam auxiliar nas tarefas burocráticas. Este último ponto merece destaque especial, posto que a proposta pressupõe a imposição de mais uma tarefa burocrática a já longa jornada de trabalho do docente, como estabelece o Art. 5: “Para a avaliação será eleita uma Comissão de Avaliação de Desempenho Docente a cada gestão departamental constituída por três membros titulares”.  

Conclui-se, portanto, que a Universidade Estadual de Londrina já possui instrumentos suficientes para reger e orientar a conduta dos docentes, o que torna a proposta de avaliação, por um lado, redundante, e, por outro, essencialmente punitiva e privatista. O caráter punitivo aparece de forma subliminar a partir dos diversos itens que compõem cada critério, mas, em especial, no fato de que o docente deverá atingir pontuação mínima (70 pontos) a fim de ser aprovado. Para além do fato de ser avaliado pelos próprios pares, a todo momento, o docente verá o conjunto do seu trabalho se perder, em suas especificidades e potencialidades, ao ser incorporado a uma lógica fundamentalmente produtivista. Em outras palavras, toda a complexidade do trabalho docente na universidade pública será reduzida a um número, que pode ou não resultar em punição efetiva. 

Análise minuciosa do instrumento de avaliação docente

A comissão que está analisando a minuta apresentará, em breve, uma análise minuciosa do instrumento proposto, destrinchando-o por inteiro. Assim que estiver pronta, a diretoria do Sindiprol/Aduel divulgará para que todos os docentes utilizem-na em debates e encaminhamentos.

Assembleia Geral Docente Virtual

O Sindiprol/Aduel convoca todas e todos docentes da UEL, da Uenp e do campus de Apucarana da Unespar para assembleia virtual com a seguinte pauta:

Pauta:
1) Data-base;
2) Lei das progressões e promoções;
3) Emenda Constitucional 109 (PEC 186 Emergencial);
4) Lei Geral das Universidades;
5) Instrumento de avaliação docente;
6) Jornada de Lutas de Servidoras e Servidores Públicos;
7) Eleição de delegado para o 11º Conad Extraordinário (confira o caderno de textos aqui).

Data e horário: 24/03 (quarta) às 16h

A sala virtual será divulgada no dia pela lista de transmissão (WhatsApp) e de e-mails. Caso não esteja em nenhuma delas, entre em contato pelo e-mail comunicacao@sindiproladuel.org.br ou envie uma mensagem para o WhatsApp (43) 3324-3995. 

Boletim sobre a assembleia do dia 4/02/21

No final da tarde e início da noite desta quinta-feira (4), cerca de 75 docentes da UEL, da Uenp e do campus de Apucarana da Unespar se reuniram para debater os pontos da pauta da assembleia virtual do Sindiprol/Aduel. Ela estava dividida entre os informes (data-base, progressões e promoções e Lei Geral das Universidades – LGU) e a discussão e organização de um calendário de mobilização e lutas. 

Data-base 

Foi feito o informe de que a defasagem salarial do funcionalismo público do executivo já está acima de 20%. Segundo cálculos do economista e assessor do Fórum das Entidades Sindicais (FES), Cid Cordeiro, até a data-base (maio) a porcentagem pode chegar aos 25%, se o crescimento da inflação permanecer como está. Ou seja, serão, então, 12 meses trabalhados e 3 deles não remunerados. 

Progressões e promoções 

Com exceção de servidoras e servidores da segurança pública e da saúde, as progressões e promoções do funcionalismo público, tanto por mérito como por tempo de carreira, estão suspensas desde o início da pandemia (março/2020). Em um primeiro momento, o governo Ratinho Jr. as havia bloqueado por decreto, indo além, inclusive, da nota técnica do Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, que não indicava o congelamento de progressões por mérito. Depois, no final do ano passado, a Alep aprovou um projeto (PLC 19/2020) que, na prática, acaba com elas – afinal, é preciso de um decreto do governador para que as progressões e promoções sejam implantadas efetivamente (enquadramento funcional e salarial dentro das universidades, por exemplo). 

Lei Geral das Universidades 

Em 2019, membros das comunidades acadêmicas e sindicais do Paraná rejeitaram a proposta de Lei Geral das Universidades (LGU) apresentada por Aldo Bona, superintendente da Seti (confira o caderno “Por que dizemos não à LGU?” clicando aqui). No ano de 2020, também por causa da pandemia, a proposta não tramitou na Alep. Entretanto, as informações são que, em 2021, ela será enviada à Assembleia Legislativa para discussão e aprovação já no primeiro semestre e que as comunidades acadêmicas e os sindicatos não saberão quais alterações foram feitas no projeto antes dele ser enviado ao legislativo. 

Propostas e encaminhamentos 

Após os informes, foram discutidos os pontos centrais das reivindicações dos docentes e, em consonância com eles, um calendário de mobilização e lutas, além de estratégias para frear os retrocessos, conter o desmonte e somar mais docentes e trabalhadores para as ações ao longo do ano.  

  • Reposição salarial integral! 
  • Fim do congelamento das progressões e promoções! 
  • Vacinação para todas e todos já! 

Foram aprovadaoos seguintes encaminhamentos: 

  • Realizar reuniões com as reitorias da UEL, da Uenp e da Unespar reivindicando a manutenção dos processos de ascensão (promoções e progressões), com a consequente publicação das portarias;    
  • Que os advogados do Andes-SN e do FES, junto com o Comando Sindical Docente (CSD), analisem as ações jurídicas mais adequadas, visando resguardar os direitos dos servidores públicos e suas respectivas carreiras;  
  • Unificar a pauta com as outras universidades, com o CSD, com o FES, e com outras categorias profissionaispara defender a reposição salarial integral, as carreiras e a vacinação para todas e todos; 
  • Buscar unidade na luta visando a articulação com outras categorias profissionais, defendendo a universidade pública e os serviços públicos de forma geral;
  • Indicar a participação da categoria na manifestação organizada pelo Comitê Unificado de Londrina que ocorrerá no sábado, dia 6/02 (confira o evento no Facebook com mais informações clicando aqui); 
  • Defesa da vacinação para todas e todos, condicionando o retorno presencial das aulas à vacinação ampla; [Confira a campanha do Sindiprol/Aduel junto, em Londrina, ao Coletivo de Sindicatos da cidade clicando aqui.] 
  • Retomar e fortalecer os Conselhos de Representantes de Base e programar reuniões por Colegiados, Departamentos e Centros da UEL, da Uenp e da Unespar/Apucarana para fazer a discussão com a base sobre a pauta de reivindicações; 
  • Buscar informações qualificadas sobre a retração nos investimentos efetuados pelos governos federal e estadual em educação e ciência.

Antes do encerramento da assembleia, que se estendeu até pouco depois das 20h, foi aprovado Valdir Anhucci, docente da Unespar/Apucarana e diretor do Sindiprol/Aduel, como representante da seção sindical na reunião do Andes-SN deste sábado (6). 

Assembleia Geral Docente Virtual

Sindiprol/Aduel convoca todas as e todos os docentes da UEL, da Uenp e do campus de Apucarana da Unespar para assembleia virtual com a seguinte pauta: 

1) Informes: 

Data-base;  

Progressões e promoções;  

LGU. 

2) Calendário de mobilização e lutas. 

Data e horário: 4/02 (quinta) às 17h 

A sala virtual será divulgada no dia pela lista de transmissão (WhatsApp) e de e-mails. Caso não esteja em nenhuma delas, entre em contato pelo e-mail comunicacao@sindiproladuel.org.br ou envie uma mensagem para o WhatsApp (43) 3324-3995. 

As ameaças do Ensino Remoto à Universidade Pública e à saúde dos docentes

Utilizando de chantagem e todo tipo de pressão, o governo do Paraná vem forçando as universidades a adotarem neste período de isolamento social o que está se convencionando denominar ensino remoto emergencial, retomando calendários suspensos pela pandemia. Aproveitando-se do contexto de excepcionalidade, o que estamos verificando na prática é uma pressão para que os docentes adotem formas de trabalho que caracterizam o Ensino a Distância (EaD).

O movimento docente há muito tempo denuncia as tentativas de implantação do EaD nas universidades por considerar que se trata de uma descaraterização da escola. Ao impedir um componente essencial da relação pedagógica, que é a interação entre os estudantes e os professores, com o compartilhamento de valores, aprendendo a tolerância com o diverso e pondo em prática os princípios democráticos, o EaD limita a escola à mera transmissão de informações. No ensino superior, ele tem o agravante de atacar a necessária integração entre ensino, pesquisa e extensão reduzindo toda a relação à distribuição de conteúdos, o que sequer pode ser chamado de ensino.

Temos observado que, com a justificativa do “emergencial”, está se incorporando o jargão do EaD, como se pode ler numa minuta de resolução do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade Estadual de Londrina (UEL): “Por atividades de ensino remoto emergencial entendem-se aquelas síncronas ou assíncronas a serem realizadas…”, assim como a “indicação de livros e material didático disponíveis nas bases e repositórios virtuais”, ao mesmo tempo que os docentes são bombardeados com uma enxurrada de divulgação dos “repositórios” vinculados ao EaD comercial vigente no país.

Nessa mesma direção, a minuta prescreve que: “Os materiais […] deverão ficar disponíveis aos estudantes durante todo o período da atividade acadêmica/disciplina/módulo, permitindo que o estudante consiga gerenciar seus horários de estudo e realizar as atividades, não havendo restrição de acesso a dias e horários limitados”, condição “assíncrona” que caracteriza precisamente o EaD. E para que não pairem dúvidas, a minuta estabelece que colegiados e docentes “deverão criar mecanismos que garantam o acesso ao conteúdo das aulas ou a gravação das aulas”, estando já em curso a gravação de aulas dentro da UEL em alguns casos.

Trata-se de medidas que na prática criarão uma base sólida para, passada a pandemia, o movimento privatista que há mais de 20 anos vem tentando implantar o EaD nas universidades públicas avance num ritmo acelerado.

Alertamos para a combinação desse cenário com as pressões para enxugar as universidades, quer seja mediante a aprovação de mecanismos como a Lei Geral das Universidades (LGU) que estava pronta para ser apresentada à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) em março, ou ainda através da redução no financiamento das Instituições Estaduais de Ensino Superior (IEES). Assim, nada impedirá ao governo do Estado de impor uma ampliação do EaD, transformando radicalmente as universidades, restringindo a contratação de professores ou até demitindo parte, pois corre no Congresso Nacional movimentos para acabar com a estabilidade dos servidores públicos.

O interesse em ampliar o uso das plataformas típicas do EaD fica evidente na própria minuta da UEL quando afirma que “Na Universidade se utiliza a plataforma Moodle, inclusive para as TICs, nesse período de excepcionalidade poderá haver o uso de outras ferramentas que viabilizem a comunicação” tais como “Google Apps (pacote disponibilizado para UEL), incluindo o Google Classroom, Meet, entre outros”. A mesma coisa podemos constatar no caso da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), que, numa instrução sobre avaliações, a reitoria prescreve que “as atividades avaliativas, inclusive os exames finais, assim como as atividades curriculares realizadas durante a suspensão das aulas presenciais, devem ficar registradas em uma das Plataformas vinculadas ao e-mail institucional, a saber: Moodle Unespar, Teams, Gsuíte ou no drive do e-mail institucional do professor da disciplina”.

Para o Sindiprol/Aduel, o que está em questão é a manutenção do caráter público da universidade, ameaçada por esse cavalo de troia que é o ensino remoto emergencial como antessala do EaD e da redução do quadro docente.

O Sindiprol/Aduel e as condições de trabalho

O Sindiprol/Aduel tem recebido cada vez mais reclamações de docentes expostos a esta modalidade de trabalho remoto, indicando aumento do cansaço e esgotamento físico e mental provocados pela combinação do trabalho remoto, com os cuidados de isolamento social e as imposições da vida familiar. As reclamações indicam um aumento na carga geral de trabalho e a pressão para que os professores fiquem disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Nesse sentido, o Sindiprol/Aduel lembra que é obrigatória a prévia negociação coletiva de trabalho toda vez que houver alterações das condições de trabalho dos professores. O Sindicato exige ser ouvido em relação às garantias das condições de trabalho que devem se pautar por:

  • Orientações e parâmetros de ergonomia física e organizacional para realização do trabalho remoto (especialmente aos docentes portadores de deficiência);
  • Limite (e adaptação) de jornada de trabalho (duração e intervalos) no novo modelo, especialmente em razão de maior desgaste psicossomático imposto pelas novas modalidades e também para assegurar o direito à desconexão com equilibrada compatibilidade da vida profissional com a vida familiar, social e pessoal do docente;
  • Regulação da exposição dos professores nas atividades remotas, em especial na vedação de gravação de aulas sem anuência expressa e detalhada de obrigatória deliberação das instâncias institucionais da Universidade, garantindo também a exposição ou gravação indesejada por parte dos professores;
  • Inviolabilidade dos direitos autorais dos professores, mediante reprodução ou divulgação indesejada de materiais utilizados nas atividades remotas;
  • Mecanismos que assegurem aos professores o exercício de suas atividades em ambientes virtuais sem a interferência ou ingresso indesejado de outras pessoas que não sejam os alunos previamente autorizados pelo professor.

Em que pese o Sindiprol/Aduel chamar a atenção para a necessidade de se avançar no debate dessas modalidades de ensino, entendemos que, em sua vigência, algumas garantias precisam ser preservadas tendo em vista a saúde e os direitos dos docentes.

Boletim da Reunião Ampliada de Diretoria – 19/05/2020

Nesta terça-feira (19), foi realizada, de forma remota através da plataforma Zoom, uma Reunião Ampliada da Diretoria do Sindiprol/Aduel, que contou com a participação de cerca de 35 docentes de diversos centros da Universidade Estadual de Londrina (UEL), bem como docentes da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) e da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) – campus Apucarana. Na pauta estavam a Lei Geral das Universidades (LGU), o Meta-4, a data-base e outros assuntos. A reunião durou cerca de três horas e abordou ainda a discussão sobre atividades remotas/EaD, volta às aulas e ações para a(s) próxima(s) semana(s).

Ao final dela, foi deliberado que sejam realizadas reuniões on-line de docentes por centros da UEL, bem como da Unespar/Apucarana e da Uenp. Todas as reuniões começarão às 14h. A pauta é: LGU; Meta-4; Data-base e Outros assuntos. Os links para as reuniões estão na sequência do texto.

Lei Geral das Universidades

Sobre a LGU foi feito o informe que, conforme reunião realizada mais cedo naquele mesmo dia, com o superintendente da Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), professor Aldo Bona, a LGU já passou pelas Secretarias do Estado. Por isso, no início do ano, esperava-se que ela seria enviada à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Devido à pandemia de coronavírus, entretanto, não há intenção de tramitá-la com urgência, pois, segundo o superintendente, a discussão sobre a lei precisa ser realizada com cuidado pelos deputados e não se quer que ela seja contaminada pelo momento crítico pelo qual o país e o mundo estão passando.

Apesar disso, é sabido que o governo vem realizando aos poucos a reforma administrativa, o que implica no fato de que uma parte da LGU já tenha sido aprovada: a eliminação de cargos operacionais e de técnicos de ensino médio, cujas atividades, futuramente, serão executadas por trabalhadores terceirizados. Por ora, após a campanha realizada no início do semestre contra a LGU, a última versão da lei é aguardada para nova apreciação e discussão com a categoria docente e demais membros da comunidade universitária.

Meta-4

Outra informação é que, no início de abril, foi apresentada uma sentença dada por um juiz de Maringá que obriga todas as universidades a se submeterem ao Meta-4. Essa sentença foi analisada pelos diretores e advogados do Sindiprol/Aduel e também foi objeto de uma conversa da diretoria com a reitoria. Por enquanto, a ação não terá efeitos práticos, mas os procuradores das universidades e advogados dos sindicatos e seções sindicais (que, talvez, possam entrar como partes interessadas) estão avaliando se cabe recurso e como impetrá-lo.

Data-base

Sobre a data-base, foi informado que o Comando Sindical Docente (CSD) e o Fórum das Entidades Sindicais (FES) enviaram ofícios ao governo do estado no mês de abril. Neles, cobrou-se o reajuste dos salários dos servidores, pois, até abril deste ano de 2020, a perda salarial já chega a 17,50%. Em relação ao ofício do CSD, a resposta, enviada no dia 6 de maio, foi absolutamente protocolar e apresentava arroladas as leis de reajuste de 2015, 2016, a supressão da lei que concederia reajustes em 2017 e a atual legislação que resultou na concessão de 2% neste ano e que prevê, condicionado ao desempenho fiscal do estado, reajustes de 1,5% em janeiro de 2021 e 2022. Portanto, nada sobre a recomposição salarial. Nesse sentido, o Sindiprol/Aduel está somando esforços no CSD e no FES para atuar em prol do reajuste.

EaD e próximas semanas

Para a próxima semana, deliberou-se pela reunião on-line com docentes dos centros da UEL, bem como da Unespar e da Uenp. As reuniões serão realizadas simultaneamente na próxima quinta-feira (28), a partir das 14h. (Os links para o acesso às reuniões estão abaixo.)

Por fim, houve uma longa discussão sobre atividades remotas/EaD. Reiterou-se a oposição do Sindiprol/Aduel a atividades realizadas na modalidade a distância e a preocupação com a saúde e condição de trabalho dos docentes e outros membros da comunidade acadêmica, assim como a necessidade de se prezar pela qualidade de ensino da universidade. No mais, foi feita e acatada a proposta de uma live sobre ensino superior, universidade pública e EaD. Sobre isso, estão sendo feitos contatos com alguns docentes para tratar da participação. Em breve serão divulgadas mais informações sobre ela.

Reuniões on-line na quinta-feira (28)

Conforme deliberação da Reunião Ampliada da Diretoria do Sindiprol/Aduel, nesta quinta-feira (28) serão realizadas as reuniões on-line de docentes por centros da UEL, bem como da Unespar/Apucarana e da Uenp. Todas as reuniões começarão às 14h. Qualquer modificação será previamente informada. Pauta: LGU; Meta-4; Data-base e Outros assuntos.

Links para o acesso às reuniões:

CCA

meet.google.com/qnf-btfg-ikk

Ligar para reunião: (US) +1 662-443-2534 PIN: 548 679 250#

CCB

meet.google.com/ptc-ctpu-xoc

Ligar para reunião: (US) +1 414-882-6330 PIN: 898 126 121#

CLCH

meet.google.com/tnb-yiwd-sox

Ligar para reunião: (US) +1 434-481-1296 PIN: 564 878 244#

Ceca

meet.google.com/xtn-rnqi-swy

Ligar para reunião: (US) +1 475-549-0338 PIN: 390 306 348#

Cesa

meet.google.com/juq-qtsx-bqn

Ligar para reunião: (US) +1 724-790-6077 PIN: 443 097 121#

CTU

meet.google.com/awj-mmnm-ocr

Ligar para reunião: (US) +1 570-658-9112 PIN: 167 978 603#

Cefe

meet.google.com/bxt-yvkf-xwz

Ligar para reunião: (US) +1 484-282-0505 PIN: 404 205 352#

CCS

meet.google.com/bht-rwpw-ahc

Ligar para reunião: (US) +1 575-305-4548 PIN: 969 458 580#

CCE

meet.google.com/ypn-mewa-pxw

Ligar para reunião: (US) +1 573-349-0086 PIN: 803 938 599#

Uenp

meet.google.com/kwo-qatg-viy

Ligar para reunião: (US) +1 347-380-6568 PIN: 115 896 417#

Unespar/Apucarana

meet.google.com/qxz-dyjq-etu

Ligar para reunião: (US) +1 276-695-5060 PIN: 256 336 760#

Ações do Sindiprol/Aduel

No dia 13 de abril, o Sindiprol/Aduel realizou uma entrevista sobre a Educação a Distância. A entrevista foi transmitida na página do Sindiprol/Aduel no Facebook e estiveram presentes Eblin Farage, secretária-geral do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), e Márcio André Ribeiro, presidente da APP-Londrina. A mediação foi de Guilherme Bernardi, jornalista da seção sindical. A entrevista completa está no YouTube.

No dia 1 de maio, foi lançada a Campanha em Defesa da Ciência e da Universidade Pública. Nela, o Sindiprol/Aduel quer dar a voz aos docentes para explicar aos cidadãos a importância das pesquisas e das atividades extensionistas desenvolvidas pela universidade na formulação de conhecimentos e respostas aos problemas da sociedade. Embora esta seja uma necessidade recorrente, com a crise sanitária provada pela pandemia da Covid-19, é sabido que só a ciência pode apresentar soluções para os problemas sociais e políticos contemporâneos. A necessidade também se reforça diante do sistemático desmonte do financiamento das pesquisas, da extensão e das universidades públicas como um todo, que redundou no rebaixamento da capacidade do país para enfrentar, por exemplo, o urgente e gravíssimo problema da pandemia.

Partes das entrevistas são publicadas no Facebook e no Instagram do Sindiprol/Aduel. As entrevistas completas estão no canal no Youtube, no Twitter e no aqui site do Sindiprol/Aduel.

Ratinho Jr. edita Decreto 4312; Seti cancela reunião com o Comando Sindical Docente

Não ao decreto 4312! Quarentena não é licença!

Em meio à gravíssima crise sanitária provocada pelo Covid-19, o governo de Ratinho Jr. desfere mais um ataque ao funcionalismo público por meio do Decreto 4312 que impõe aos servidores que dispõem de licença especial vencida a obrigatoriedade de frui-las durante a quarentena.

Esse importante direito, que já foi mutilado (para os servidores antigos) ou eliminado (para os novos) pelo governo, que visa à recomposição de forças psicofísicas dos trabalhadores em condições adequadas, agora é eliminado durante uma quarentena forçada pela crise sanitária e com duras consequências emocionais para aqueles que, em razão de força maior, ficarão semanas ou meses confinados em suas residências. Em sua maioria, trabalhando normalmente.

Mais uma vez, o governador do Paraná demonstra ser um inimigo dos servidores e dos serviços públicos do estado.

Contra a imposição da licença especial!

Pela manutenção do direito dos servidores públicos!

Quarentena não é férias e nem licença, é um dever em prol da coletividade!

Seti cancela reunião com o Comando Sindical Docente

Nesta sexta-feira (20), o Comando Sindical Docente (CSD), composto pelas seções sindicais Sindiprol/Aduel, Sesduem, Sinduepg, Adunioeste, Adunicentro e Sindunespar, recebeu um ofício da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) cancelando, por causa das medidas de emergência tomadas pelo governo do estado, toda a agenda para os próximos dias. Na agenda, estava uma reunião entre o CSD e Aldo Bona, superintendente da Seti, marcada para a próxima terça-feira (24), com o objetivo de tratar da Lei Geral das Universidades (LGU).

Ofício enviado pela Seti

O ofício também pode ser acessado em PDF aqui: cancelamento-de-agenda.

Lei Geral das Universidades

Como falado na última edição do programa Aroeira, que foi ao ar no dia 14 de março, a LGU ainda não está na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), mas é preciso estar atento aos perigos e aos ataques que ela representa.

Por isso, abaixo estarão alguns materiais que são importantes de serem lidos/ouvidos sobre a LGU, o que ela representa, e o porquê da rejeição à proposta.

Aroeira: No programa do dia 14, Silvia Alapanian, professora aposentada do departamento de serviço social da UEL e diretora do Sindiprol/Aduel, falou sobre a Lei Geral das Universidades (LGU), o plebiscito que será realizado na UEL para deliberar sobre a rejeição dela e sobre a campanha que o sindicato está lançando contra a LGU. Clique aqui para ouvir a entrevista que começa aos 18 minutos e 42 segundos.

Histórico da LGU: As discussões sobre a minuta imposta pela Seti começaram em 3 de junho, quando Aldo Bona apresentou a LGU aos reitores das universidades estaduais do Paraná. Clique aqui para acessar uma cronologia da LGU.

Caderno com síntese do relatório do Seminário Estadual: No dia 2 de agosto, cerca de 300 membros das comunidades universitárias do Paraná se reuniram na UEL para realizar o Seminário Estadual sobre a Lei Geral das Universidades. Ao final do evento, foi publicado um relatório sobre as discussões realizadas no Seminário. A síntese dele resultou no caderno “Por quê dizemos não à LGU?” e ele pode ser acessado clicando aqui.